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O Nascimento de Jesus

Cerca do ano 6, antes da era atual

E o Verbo se fez carne...

LC Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria. E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. Subiu também José, da Galileia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, JO pois a verdadeira Luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. LC E teve a seu filho primogênito. Envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. JO E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. E vimos a Sua Glória, como a Glória do Unigênito do Pai.

Notas do Autor: LC 2:1-6; JO 1:9; LC 2:7; JO 1:14

CÉSAR AUGUSTO. Governou Roma e o mundo no período de 31 a.C. a 14 d.C. Seu nome original era Otávio e adotou o título César com o objetivo de homenagear o antecessor e agregar o carisma de Júlio, o primeiro César. Com isto, deu origem ao clã cesariano (leia a nota em “Não temos rei, senão César”, p. 468). Otávio cultuava a si mesmo como um deus e, ególatra, autodenominou-se Augusto, que quer dizer “venerável” ou “digno de veneração”. Nas províncias dominadas ao redor do mundo, seus generais e procuradores o louvavam como filius dei (filho de deus) e lhe dedicavam templos e cidades, como Cesareia, na Judeia, construída por Herodes, o Grande. Foi de Roma a ideia de usar a moeda como o meio mais eficiente e duradouro para divulgar esta devoção ao “divino César”. Um denário de prata, daquela época, trazia a efígie de César em relevo e a inscrição T. CAESAR DIVI AVG. F. AVGVSTVS, que significa: “Tibério César Divino Augusto, filho do Augusto”. Foi justamente este “venerável” imperador que Deus usou para fazer o decreto do recenseamento mundial e, com isto, preparar a Terra para receber o Divino Rei do Universo, o Único e Verdadeiro Filius Dei que é digno de ser louvado e adorado.

PARA QUE TODO O MUNDO. O Império Romano havia dominado o mundo e se espalhado por uma extensão territorial de quase cinco mil quilômetros, que ia da África à Ásia, passando por toda Europa, numa região que envolve, hoje, mais de cinquenta países. O mundo todo tinha um único imperador, um único exército, um único Código de leis e uma única moeda. Roma impunha o seu modo de vida ao mundo, que vivia a Pax Romana, ironicamente garantida pela força do seu incrível poderio bélico. É por esta causa que o decreto de César Augusto foi prontamente obedecido em Israel.

FOSSE RECENSEADO. Mais do que simplesmente querer saber o número de habitantes, o Imperador decretava o censo porque cobrava de cada pessoa um imposto chamado tributum capitis, equivalente a um dia de salário, ou “um denário per capita”. Sabendo o número exato de habitantes, não havia como os governadores locais desviarem ou sonegarem o imposto que Roma cobrava por cabeça.

E TODOS IAM ALISTAR-SE, CADA UM À SUA PRÓPRIA CIDADE. Para facilitar o controle e a cobrança deste imposto, o decreto de César determinava que cada um se cadastrasse na sua cidade natal.

SUBIU TAMBÉM JOSÉ... À CIDADE DE DAVI, CHAMADA BELÉM, PORQUE ERA DA CASA E FAMÍLIA DE DAVI. José morava em Nazaré, na Galileia, e era descendente do rei Davi. Em obediência ao decreto, viajou cerca de 122 quilômetros até Belém, sua cidade natal, que ficava na Judeia.

A FIM DE ALISTAR-SE COM MARIA. Apesar de sua esposa estar grávida, José foi obrigado a levar a mulher para se cadastrar, pois, da mesma forma, Maria era descendente do rei Davi.

ENQUANTO ESTAVAM ALI, CHEGOU O TEMPO EM QUE ELA HAVIA DE DAR À LUZ. José pensava que cumpria apenas um decreto de César e nem imaginava que, na verdade, estava cumprindo o Decreto do Altíssimo, escrito no livro de Miqueias, cerca de 750 a.C., que determinava que o Messias deveria nascer na inexpressiva Belém: “Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti é que me sairá Aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da Eternidade” (Mq 5.2). E por que Belém? Além do Decreto de Deus, havia outros motivos: Esta é a mesma cidade em que nasceu Davi – o rei ungido de Deus. Porque Deus não se esqueceu da promessa feita a Davi, por intermédio do profeta Natã: “A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (II Sm 7.16). Beth lehem, em hebraico, quer dizer “Casa do Pão”. É ali que tem de nascer “O Pão da Vida” (Jo 6.48). Davi foi o ungido temporário. Jesus é O Ungido Eterno de Deus. O extraordinário poder de Deus sobre toda a Terra: As peças que Deus moveu para que Jesus nascesse em Belém, e não em outra cidade, realmente dão o que pensar sobre o Seu extraordinário Poder para controlar tudo e cumprir a Sua vontade, planejada muito tempo antes. Veja só: Deus moveu o coração do homem mais poderoso do mundo, entronizado a 2.250 quilômetros de distância, para que César elaborasse um decreto mundial, que obrigou José e Maria a sair de Nazaré e viajar até Belém, onde Jesus teria de nascer. Deus calculou tudo cuidadosamente para que, entre a divulgação e o cumprimento do decreto em Israel, a mobilização do casal sagrado numa longa e difícil viagem a Belém coincidisse exatamente com o tempo em que ela deveria dá-lO à Luz. José e Maria são descendentes do rei Davi e este é um dos motivos por que Deus escolheu aquele casal: Jesus, tanto por parte do pai adotivo como por parte de mãe é descendente do rei Davi e, por isso, tem direito real e legítimo ao Trono de Israel.

NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM. A ida de tantos belemitas provocou superlotação na pequena Belém, que não tinha infraestrutura hoteleira para acomodar toda aquela gente. É curioso que o mesmo Deus que calcula tudo tão antecipadamente não se tenha preocupado em fazer uma “reserva” na estalagem. Na verdade, isto foi intencional e profético, pois o Senhor já demonstrava que os homens não Lhe dariam lugar.

Um anjo anuncia aos pastores o nascimento do Salvador

LC Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. E um anjo do Senhor apareceu- lhes e a Glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. O anjo, porém, lhes disse:

– Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em faixas e deitado em uma manjedoura.

Notas do Autor: LC 2:8-12

É QUE HOJE VOS NASCEU. Impossível saber com precisão o dia histórico em que o Salvador nasceu, porque a data não foi anotada na época. O dia 25 de dezembro foi escolhido pelos cristãos por volta do ano 350, com o propósito de substituir uma festa pagã muito popular na Antiguidade – a Saturnalia – comemorada de 17 a 24 de dezembro pelos romanos em homenagem a Saturno, o deus da colheita. No dia 25 os romanos comemoravam o Natalis Invictus Solis – o Nascimento do Sol Invicto, em função do solstício de inverno no hemisfério norte, época em que o Sol se encontra mais afastado do Equador e parece, naqueles dias, fraco e estacionado no céu, porém pronto para ressurgir mais forte e trazer vida à Terra. Esta festa dos adoradores do sol, a maior do mundo pagão, rivalizava com o cristianismo. Como os pagãos comemoravam a festa comendo pão, consagrados a Saturno, os cristãos de então tiveram a ideia de proclamar 25 de dezembro como o dia natalício do Senhor, já que Ele é o Pão da Vida (Jo 6.48). Para reforçar a data e incentivar a troca do deus- sol pela Luz do mundo (Jo 9.5), os cristãos passaram a proclamar aquele dia como o Dia do Nascimento do Sol da Justiça, porque em Malaquias 4.2a está escrito: “Mas para vós que temeis o meu Nome nascerá o Sol da Justiça e salvação trará debaixo das suas asas”. Com isto, a festa pagã foi absorvida pelo cristianismo, assim como os novos convertidos vindos do paganismo, até extinguir totalmente aquele culto pagão. A escolha desta data foi muito criticada pelos cristãos egípcios, sírios e armênios – as Igrejas do Oriente – que preferiam comemorar o nascimento de Cristo em 6 de janeiro, para não confundi-la com nenhum culto pagão. Foi o início da polêmica. Porém, todos os estudiosos, inclusive não-cristãos, concordam que Jesus não nasceu em nenhuma destas datas, por ser época do inverno. Seria impossível aos pastores estar pernoitando ao ar livre com seus rebanhos porque, além do frio, naquela época do ano também chove muito e, como diz a Bíblia, “é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fora” (Ed 10.13). Tampouco o recenseamento, que obrigou José e Maria a viajar a Belém, teria sido convocado em um período de difícil locomoção. Vários estudos, pesquisas e cálculos já foram feitos para apontar o mês em que o Salvador nasceu, e os resultados são diversos: abril, maio, setembro ou outubro. Na verdade, Deus ocultou o conhecimento de tal Dia porque, desde que Ele veio, morreu e ressuscitou, Seu nascimento ocorre no exato momento em que a pessoa O recebe como Único Salvador, Cristo e Senhor.

O SALVADOR, QUE É CRISTO, O SENHOR. O nome Cristo é a versão grega da palavra hebraica Meshihâ, que quer dizer “o Ungido”. De Meshihâ derivou a palavra Messias. Observe a Trindade no Nome: “o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

MANJEDOURA. É notável que Cristo, “O Rei dos reis” (Ap 17.14), que teve o Seu nascimento planejado há milhares de anos, tenha preferido um berço improvisado numa manjedoura a um berço de ouro em um palácio. Mais do que uma marca de humildade, ao ser colocado na manjedoura – um cocho de madeira onde o gado se alimenta –, o Senhor já mostrava que o Seu corpo estava sendo destinado como alimento para o mundo (Jo 6.51). Também é profundamente significativo que a madeira estivesse ligada à vida do “carpinteiro”, tanto no início como no fim da Sua jornada terrestre: trinta e três anos depois de Seu nascimento, ao levar a Cruz nas costas, Ele Se comparou ao madeiro e disse às mulheres que choravam por causa da Sua condenação: “Se ao madeiro verde fazem isto, o que se fará ao seco?” (Lc 23.31).

O coral de anjos

LC Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: GLÓRIA A DEUS NAS MAIORES ALTURAS, PAZ NA TERRA E BOA VONTADE PARA COM A HUMANIDADE. E logo que os anjos se retiraram deles para o Céu, diziam os pastores uns aos outros: – Vamos já até Belém. Vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer. Foram, pois, a toda pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-O, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita. E todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.

Notas do Autor: LC 2.13-20

Os magos procuram pelo rei dos Judeus

MT Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém, que perguntavam: – Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Pois do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lO. O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém. E, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe eles: – Em Belém da Judeia; pois assim está escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel. Então Herodes chamou secretamente os magos e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera. E enviando-os a Belém, disse-lhes: – Ide e perguntai diligentemente pelo menino. E, quando o achardes, participai-mo, para que eu também vá e o adore.

Notas do Autor: MT 2.1-8

MAGOS. Estes homens não eram magos no sentido ocultista que hoje se dá a esta palavra. Seria contraditório se o Senhor recebesse honra daquilo que Ele mesmo abomina na Torá: “Entre ti se não achará [...] nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos, pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR” (Dt 18.10-12a). Estes homens eram magii, isto é, “sábios” vindos de uma tribo da Média, que trabalhavam na Pérsia.

POIS DO ORIENTE VIMOS A SUA ESTRELA E VIEMOS ADORÁ-LO. Quatro teorias tentam explicar o aparecimento da Estrela de Belém: 1- No ano 7 a.C. houve uma conjunção entre Júpiter e Saturno, que provocou um brilho extraordinário, observável a olho nu. 2- Registros chineses confirmam o aparecimento de uma estrela em 4 a.C. 3 - O coral de anjos resplandecentes que surgiu no Céu e causou um brilho temporário e incomum (Lc 2.9-14). 4 - Um sinal do Céu, porque Deus, ao criar os astros, disse: “Sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos” (Gn 1.14b).

ESCRIBAS. Eram os funcionários do Templo encarregados de preparar manualmente cópias dos rolos das Escrituras. De tanto copiarem, tornaram-se profundos conhecedores da Palavra. Eram chamados para esclarecer dúvidas ou citar trechos. Alcançaram status de doutores e mestres.

A estrela de Belém

MT Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram. E eis que a estrela que tinham visto quando no Oriente ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria. E entrando, viram o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, O adoraram. E abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

Notas do Autor: MT 2:9-12

E, PROSTRANDO-SE, O ADORARAM. O Evangelho não especifica que os “magii” eram três, nem que eram reis. A esta conclusão chegou-se por causa dos três presentes oferecidos e das profecias contidas nos Salmos e em Isaías: “Paguem-lhe tributo os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba ofereçam-lhe dons” (Sl 72.10); “Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, e o seu Santo, ao que é desprezado dos homens, ao que é aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão e se levantarão, como também os príncipes, e eles te adorarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu” (Is 49.7); “E nações caminharão para a tua luz, e reis para o resplendor da tua aurora” (Is 60.3).

OURO, INCENSO E MIRRA. Significados profundos e proféticos, que falam da pessoa de Jesus: Ouro, por causa da Sua realeza – Ele é o Rei dos reis (Ap 19.16); Incenso, que só um Deus é digno de receber – Jesus é Deus (Jo 1.1-2); Mirra, substância usada para perfumar defuntos. A mirra será usada no cadáver de Jesus, quando o Seu corpo for retirado da Cruz (Jo 19.39).

REGRESSARAM À SUA TERRA. O Evangelho também nada diz sobre os nomes dos “magii”. Porém, se os nomes que lhes deram forem corretos, a história fica mais impressionante ainda: Baltazar, cuja tradução quer dizer “Guardem o Rei”. Jesus disse: “Quem me ama, guardará a minha Palavra e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23). Melchior, cujo significado é  “O Rei da Luz”. Jesus disse: “EU SOU a Luz do mundo” (Jo 9.5). E Gaspar, que significa “O que vence tudo”. Jesus venceu o Pecado, o mundo, a Morte e o Inferno (Ap 1.18).  

Juanribe Pagliarin

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