Após leve queda, média dos novos casos por Covid-19 registrada por dia volta a subir na cidade de SP e puxa estatísticas do estado

A média de novos casos de Covid-19 registrados voltou a subir na cidade de São Paulo, abandonando as tendências de estabilidade e, posteriormente, de leve queda verificadas no início de junho. Nesta semana o total de casos bateu recorde em um dia e o de mortes confirmadas em 24h no estado todo foi recorde por dois dias seguidos.

Os casos confirmados a cada dia na capital paulista estão em alta desde o último domingo (14 de junho), mostram os dados do Ministério da Saúde enviados pelo governo estadual. A tendência é a de que o aumento nos casos se agrave nos próximos dias, já que nesta quarta (17) e quinta (18), devido a problemas no sistema de notificação do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo não contabilizou todos os casos registrados. A expectativa do governo estadual é incluir os casos da quarta e da quinta-feira no sistema do ministério quando a plataforma voltar a funcionar corretamente.

Questionado sobre a falha durante coletiva de imprensa realizada em Brasília, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, afirmou que recomendou aos representantes do estado de SP que extraíssem os dados de outra maneira. "Como qualquer sistema de informação, temos momentos de instabilidade. Mas a segurança dos dados está devidamente garantida", disse.

No último pico da média móvel de casos, em 3 de junho, a capital tinha média de 2.502 novos casos registrados a cada dia. Após uma queda repentina, a média móvel se manteve estável, formando um platô ao longo de cinco dias, com médias de 1.940 a 2.023 casos entre os dias 9 e 13 de junho.

No entanto, a partir do dia 14, a tendência mudou e a cidade passou a registrar índices cada vez maiores de novos casos: na terça (16), último dia com dados completos, a média móvel foi de 2.807 novos casos.

Segundo José Fernando Chubaci, físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) que acompanha os dados de Covid-19 em São Paulo desde o início da pandemia, a capital abandonou o platô e perdeu a estabilidade que havia sido conquistada no indicador de novos casos por dia.

Segundo ele, quando forem inseridos os dados atrasados dos últimos dias, devido ao problema na plataforma nacional, os números vão puxar ainda mais a tendência de alta que está posta.

“O que vai acontecer é que quando colocar o dado correto vai puxar lá para cima. O estado como um todo estava tendo, na média, de 5 a 6 mil casos por dia. Agora, com a falha do e-SUS, foram dois dias na casa dos 1 mil casos. Pode ser que venha um dia que tenha 10 mil, com os casos atrasados, e aí estoura a curva”, explica.

Em relação ao gráfico de novas mortes registradas por dia, Chubaci acredita que o indicador também aponta para uma tendência de alta no estado, mas afirma que é necessário esperar mais alguns dias para verificar se essa tendência se confirma.

A média móvel dos últimos 7 dias é um indicador recomendado por especialistas porque minimiza os efeitos da variação nos registros que ocorre aos finais de semana, quando as notificações caem sistematicamente. Enquanto as barras dos gráficos acima mostram o valor registrado por dia, a linha que se sobrepõe às barras faz uma média diárias dos últimos 7 dias.

Causas do aumento

Ainda não é possível afirmar que o aumento se deve às medidas de reabertura da economia que, na capital, começaram no dia 5 de junho, com a liberação de concessionárias e escritórios. Isto porque o tempo de incubação do novo coronavírus é de até 14 dias e, portanto, boa parte dos novos casos confirmados a partir de 15 de junho corresponde a infecções que ocorreram antes da reabertura do comércio.

Especialistas lembram ainda que as notificações da doença ocorrem com atraso em relação aos primeiros sintomas, assim como os registros de morte pelo vírus costumam ser confirmados após a data do óbito. Por isso, casos confirmados e mortes registradas a partir do dia 15 podem ser ainda mais antigos.

Nesta terça-feira, quando o número de mortes por Covid-19 em SP bateu recorde, o coordenador-executivo do comitê de saúde do estado disse que os dados não refletem, ainda, as medidas de relaxamento da quarentena porque "o número de óbitos é alterado por alguma coisa que aconteceu há 20 dias, há 30 dias atrás", e não há uma semana.

Evolução nos critérios do Plano SP

O governo estadual utiliza cinco critérios de saúde para decidir relaxar ou endurecer a quarentena em cada região. Entre os critérios estão mortes e casos confirmados de Covid-19. Cada item tem um peso na conta final para a classificação entre as fases:

Taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19;
Proporção de leitos UTI Covid-19 a cada 100 mil habitantes;
Variação no número de casos confirmados da doença os últimos 7 dias;
Variação no número de novas internações nos últimos 7 dias;
Variação no número de mortes confirmadas nos últimos 7 dias;

Inicialmente, a divisão do estado foi feita com base nas 17 Divisões Regionais de Saúde (DRS). A capital, no entanto, desde o início do anúncio do plano ficou de fora da DRS da Grande São Paulo, o que gerou críticas pela antecipação da possibilidade de flexibilização antes das demais cidades.

Na época, a principal justificativa do governo estadual para a classificação diferente foi a taxa de ocupação de leitos de UTI e a disponibilidade de leitos para 100 mil habitantes, que apresentava índices melhores na capital que nas outras cidades.

Após pressão de prefeitos, a gestão estadual concordou em subdividir a DRS da Grande São Paulo em outras 5 microrregiões além da capital, para que os locais que apresentassem melhores índices também pudessem avançar nas fases de reabertura.

Veja abaixo quais municípios fazem parte das subdivisões criadas para a Grande São Paulo:

Norte/ Franco da Rocha: Caieiras, Cajamar, Francisco morato, Franco da Rocha, Mairiporã.

Leste/ Alto Tietê - Guarulhos: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

Sudeste/ Grande ABC: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Sudoeste/ mananciais: Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista.

Oeste/ Rota dos Bandeirantes: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora de Bom Jesus e Santana do Parnaíba.

Pelo plano apresentado pelo governo de São Paulo, as regiões do estado são classificadas da seguinte forma:

Fase 1 - Vermelha: Alerta máximo
Fase 2 - Laranja: Controle
Fase 3 - Amarela: Flexibilização
Fase 4 - Verde: Abertura parcial
Fase 5 - Azul: Normal controlado

De acordo com a fase cada região pode liberar a abertura de diferentes setores da economia fechados pela quarentena. Veja na figura abaixo:

Fonte: G1