GRATIDÃO OU AÇÃO DE GRAÇAS

“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade
de 
Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5.18).

A ação de graças é o louvor de gratidão a Deus pelo que Ele faz em nosso favor. É sentimento que flui do coração grato. É exigido de todos os cristãos independentemente de atitude inicial (1 Ts 5.18).

O cristão deve ser grato a Deus por tudo que Ele já fez, está fazendo e ainda fará na vida de cada um (Ef 5.20; Cl 3.17; 1Ta 5.18), principalmente por ter sido salvo e estar em processo de santificação (Rm 7.25; Cl 13.5; 2 Ts 1.2-7; e 2.13).

Deve também agradecer a Deus antecipadamente, pelas respostas às orações (Fp 4.6), sabendo que nem sempre o cristão estará de acordo com a vontade perfeita de Deus (Rm 12.1-2). O agradecimento deve ser acompanhado de louvor e adoração que compõem o reconhecimento com as virtudes anunciadas e exaltadas.

O louvor recebido de outro ser humano embora benéfico (1 Co 11.2; 1 Pd 2.14), pode ser também um laço (Pv 27.21; Mt 6.1-5), mas o louvor a Deus é o maior agrado que uma pessoa pode dar a Deus.

O ato de louvar a Deus é o modo pelo qual expressamos nossa alegria diante do SENHOR. Todo cristão deve louvar a Deus pelo que Ele é, e pelo que Ele faz (Sl 150.2). Louvar a Deus pelo que Ele é chama-se ADORAÇÃO e louvá-lO pelo que Ele faz é dar graças.

O servo de Deus deve dizer como Davi: “Tu és o motivo para os meus louvores constantes: “Por Ti tenho sido sustentado desde o ventre; Tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente. [...]. Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.” (Sl 71.6; 14)

A verdadeira adoração é sempre produto na perspectiva da grandeza de Deus e da pequenez do ser humano. O profeta Isaías vê a grandeza de Deus e clama: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (Is 6.5). João, na ilha de Patmos, vê o Senhor e diz: "Quando O vi, caí a seus pés, como morto" (Ap 1.17).

Um coração adorador é cheio do Espírito, Parakletos, por isso seu desejo constante é adorar e glorificar a Deus. Na conversa que Jesus teve com a mulher samaritana junto à fonte de Jacó, Jesus declarou que Deus procura quem o adore em Espírito e em verdade (Jo 4.23-24). Essa realidade se faz presente na Igreja desde a vinda do Espírito de Deus.

A pessoa plena do Espírito, Parakletos, adora a Deus com Salmos, hinos que exaltam a Cristo Jesus (em geral encontramos vários hinos no Novo Testamento. Exemplos Jo 1.1-18; Fp 2.6-11; Cl 1.15-20) e cânticos de louvor. Há grande variedade de cânticos e hinos cristológicos para a adoração. E a pessoa cheia do Espírito entoa louvores de “coração”. Não faz isso mecanicamente, mas por um desejo profundo de exaltar ao SENHOR.

Um coração grato (Ef 5.20) manifesta gratidão que é outra marca da plenitude do Espírito. Essa pessoa sabe reconhecer as bênçãos espirituais derramadas sobre sua vida (Ef 1.3). Sabe que é alvo do amor de Deus e que Jesus Cristo deu sua vida por cada cristão. E que a salvação chegou à sua vida pela graça de Deus. Por tudo isso agradece. Assim, cristãos que têm a vida no altar do Senhor agradece, em todo o tempo, por todas as bênçãos que recebe em circunstâncias adversas.

O apóstolo Paulo é um bom exemplo. Prisioneiro, não lamentava sua situação, mas a transformava em oportunidade de adoração. Assim, não era prisioneiro do imperador, mas do Senhor (Ef 3.1; 4.1). Apesar das privações, era alguém que sabia viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4.10-20). O cristão pleno do Espírito enxerga além. O que Deus fez por ele é algo tão grandioso que deixa os anjos pasmos diante de tão grandiosa graça (Ef 1.19-23; 3.10).

Cada espaço do coração do cristão precisa ser dado ao Parakletos; é como um rio que vai enchendo tudo à sua frente. O próprio Jesus falou disso em termos de rios de água viva: No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.37-38).

Assim, devemos como cristãos lembrar que da mesma maneira que precisamos sempre beber água para nossa subsistência, também a busca da plenitude do Espírito deve ser constante na vida de cada servo do Senhor. O andar em comunhão diária com o Senhor assegura a plena ação do Espírito Santo. Em outras palavras, plenitude do Espírito é estilo de vida em Cristo Jesus. Só podemos ser o que Deus espera de nós cristãos, se andarmos no Espírito e fazendo a Sua vontade o fruto aparecerá (Gl 5.16-26).

O viver com sabedoria depende da vida cheia do Parakletos. E a comunhão com o Senhor manifesta-se na plenitude do Espírito, que resulta na comunhão contínua com o Senhor. Uma depende da outra. Uma gera a outra. Quando fazemos assim, a vida cristã abundante se torna realidade em nosso dia a dia. A fé em Jesus Cristo é que nos capacita a viver sob a vontade do Senhor e a fazermos a Sua vontade com ação de graças e gratidão em todo o tempo.

Por Valdely Cardoso Brito