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CASAIS COM PAZ E VIDA

Em 2004, a média de atenção em uma tela era 2 minutos e meio, agora as pessoas só focam por uma média de apenas 47 segundos, mostrou estudo.

Estou trabalhando constantemente por horas, mas sinto como se nem tivesse começado. Minha atenção está sendo desviada da minha tarefa designada – escrever este artigo – por uma miríade do que acredito serem interrupções de trabalho necessárias. OK, algumas eram do meu gato, que também acredita firmemente na necessidade dessas interrupções.

Meus filhos e eu chamamos dias como este de “dias do esquilo” em homenagem a Dug, o cachorro falante do (esquilo!!) filme da Pixar de 2009 “Up – Altas Aventuras”, que (esquilo!!) estava constantemente distraído (esquilo!!).

Infelizmente, muitos de nós estamos tendo “dias de esquilo”, de acordo com a Dra. Gloria Mark, professora de informática da Universidade da Califórnia, em Irvine, que estuda como a mídia digital afeta nossas vidas.

Em seu livro “Attention Span: A Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity” (Tempo de Atenção: Uma Forma Inovadora de Restaurar o Equilíbrio, a Felicidade e a Produtividade, na tradução livre), Mark explica como décadas de pesquisa acompanharam o declínio da capacidade de concentração.

“Em 2004, medimos a média de atenção em uma tela em 2 minutos e meio”, disse Mark. “Alguns anos depois, descobrimos que o tempo de atenção é de cerca de 75 segundos. Agora descobrimos que as pessoas só conseguem prestar atenção em uma tela por uma média de 47 segundos”.

As pessoas não apenas se concentram por menos de um minuto em qualquer tela, disse Mark, mas quando a atenção é desviada de um projeto de trabalho ativo, elas levam cerca de 25 minutos para se concentrar novamente nessa tarefa. (O que??)

“Na verdade, nossa pesquisa mostra que leva 25 minutos e 26 segundos antes de voltarmos à esfera de trabalho ou projeto original”, disse Mark.

Por que você tem um curto período de atenção

Como pode ser? “Se olharmos para o trabalho em termos de troca de projetos, em oposição à visão micro de troca de telas, descobrimos que as pessoas gastam cerca de 10 minutos e meio em qualquer projeto de trabalho antes de serem interrompidas – internamente ou por outra pessoa – e depois mudam para outro projeto de trabalho”, disse Mark.

Sim, mas depois voltamos ao trabalho original, certo? Errado, disse Mark. Em vez disso, quando somos interrompidos no projeto dois, mudamos novamente para uma tarefa diferente – um projeto três. Inacreditavelmente, sua pesquisa mostrou que também somos interrompidos no projeto três e passamos para o projeto quatro.

“E então você volta e pega o projeto original interrompido”, disse Mark. “Mas não é como se você fosse interrompido e não fizesse nada. Por mais de 25 minutos, você está realmente trabalhando em outras coisas”.

“No entanto, também há um custo de troca”, acrescentou Mark. “Um custo de troca é o tempo que você leva para se reorientar de volta ao seu trabalho: ‘Onde eu estava? No que eu estava pensando?’. Esse esforço adicional também pode levar a erros e estresse”.

Como focar

Por que tudo isso é um problema? Afinal, isso se chama multitarefa, considerada por muitos uma habilidade altamente valorizada para lidar com as demandas da era da informação.

“Com exceção de alguns raros indivíduos, a multitarefa não existe”, disse Mark. “A menos que uma das tarefas seja automática, como mascar chiclete ou caminhar, você não pode fazer duas coisas difíceis ao mesmo tempo”.

Por exemplo, ela disse, você não consegue ler e-mail e estar em uma videoconferência. Quando você foca em uma coisa, você perde a outra. “Na verdade, você está mudando sua atenção muito rapidamente entre os dois”, disse Mark. “E quando você muda sua atenção rapidamente, isso está relacionado ao estresse”.

A pressão arterial aumenta. A frequência cardíaca acelera. Medidas psicológicas de estresse também mostram resultados negativos, disse ela, como mais fadiga e erros e menos produtividade: “Quanto mais as pessoas fazem multitarefas, mais erros elas cometem”.

Quem fez isso conosco? Nós mesmos fizemos isso, é claro, com a ajuda de culpados da tecnologia, como mídias sociais, tablets e televisão. Mas Mark culpa principalmente o e-mail.

“Para mim, e-mail é provavelmente o pior porque se tornou um símbolo de trabalho”, disse ela, acrescentando que sua pesquisa encontrou uma correlação direta entre e-mail e mais estresse.

“Cortamos o e-mail de alguns funcionários de uma organização por uma semana de trabalho”, disse ela. “Usando monitores de frequência cardíaca, descobrimos que eles ficaram significativamente menos estressados e conseguiram se concentrar por muito mais tempo”, explica.

“Não há como uma pessoa se desligar completamente da tecnologia e trabalhar no mundo de hoje”, disse Mark. “Então, vamos aprender a conviver com isso de uma forma que mantenha nosso bem-estar positivo”.

Como aumentar seu tempo de atenção

Recuperar o foco exige que você esteja atento a como está usando a tecnologia, disse Mark, uma tarefa assustadora se você considerar que o americano comum passa pelo menos 10 horas por dia olhando para uma tela.

Paradoxalmente, você pode usar a tecnologia para ajudar, disse ela. Programe o trabalho de rotina para a primeira parte do dia quando você não estiver totalmente alerta e, em seguida, use a tecnologia para bloquear as distrações quando estiver em seu melhor estado mental. À noite, descarregue as tarefas de seu cérebro, anotando-as e, em seguida, guarde a lista.

Distraído pelas redes sociais? Esconda-as, disse Mark: “Tire os ícones da área de trabalho e enterre os aplicativos do telefone em pastas, onde é necessário um esforço extra para encontrá-los. Deixe seu telefone em outro cômodo ou coloque-o em uma gaveta e tranque”.

Também é importante aprender quando fazer uma pausa. “Se você tiver que ler algo mais de uma vez ou se as palavras simplesmente não forem registradas, é hora de parar e revigorar as energias”, disse ela.

A melhor pausa é uma caminhada ao ar livre: “Apenas uma caminhada de 20 minutos na natureza pode ajudar a relaxar significativamente as pessoas”, disse Mark. “E descobrimos que pode ajudar as pessoas a produzir significativamente mais ideias – é chamado de pensamento divergente”.

Muito frio para andar lá fora? Faça algo envolvente que não exija esforço mental. “Tenho um amigo que é professor do MIT e sua atividade favorita é combinar meias”, disse Mark. “Outro amigo gosta de passar roupa. As ideias podem incubar e depois voltamos ao trabalho árduo e o vemos com novos olhos”.

Fonte: CNN BRASIL

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