Salário médio volta a subir, com queda da inflação e do desemprego

Pela primeira vez desde junho de 2020, a renda cresceu tanto na comparação trimestral como na anual, segundo dados do IBGE.

Com a queda da inflação e da taxa do desemprego nos últimos meses, o salário médio do brasileiro voltou a subir. O impacto da redução de preços aponta mudança na trajetória da renda do trabalhador, que vinha sofrendo um achatamento desde a retomada das atividades presenciais.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o salário médio alcançou R$ 2.737 no trimestre de julho a setembro de 2022. Pela primeira vez desde junho de 2020, o rendimento dos brasileiros aumentou tanto na comparação trimestral (3,7%) quanto na anual (2,5%). Já a massa de rendimento real habitual (R$ 266,7 bilhões) cresceu 4,8% frente ao trimestre anterior e 9,9% na comparação anual.

“O crescimento do rendimento real está relacionado à redução da inflação, que tem proporcionado ganhos reais aos profissionais”, afirma Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que foi divulgada nesta quinta-feira (27).

A renda começou a cair mais intensamente no terceiro trimestre de 2021. A partir do fim do primeiro trimestre deste ano, começou a reagir e, agora, retomou o patamar do ano anterior.

“O rendimento nominal, que não desconta a inflação, já vinha crescendo em 2022, enquanto o real estava registrando queda. Uma vez que há uma retração da inflação, passa-se a ter registros de crescimento no rendimento real”, avalia a pesquisadora.

De acordo com a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o desemprego chegou a 8,7% no trimestre encerrado em setembro. O percentual é o menor apurado desde julho de 2015 (8,4%). Com o recuo de 0,6 ponto percentual da taxa de desocupação, a quantidade de profissionais ainda fora da força de trabalho equivale a 9,5 milhões de pessoas, o menor volume desde o trimestre finalizado em dezembro de 2015.

O (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência, também apresentou resultado positivo pelo nono mês seguido no mercado formal de trabalho. Segundo os dados de setembro, o Brasil abriu 278.085 vagas de trabalho com carteira assinada.

Para o economista André Braz, coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), esse movimento deverá ser mantido.

“Esse impulso deve continuar crescendo, até porque nessa fase final do ano há normalmente geração de muito emprego e renda temporários. A economia fica mais aquecida nesta época do ano e vai pegar esse embalo. Não vejo chances de surpreender negativamente, mostrar uma retração. Exatamente porque a sazonalidade vai ajudar um pouco nesta reta final de 2022”, afirma Braz.

O resultado tem impacto na taxa básica de juros, a Selic, que foi mantida pelo Banco Central nesta quarta-feira (26) pela segunda vez consecutiva em 13,75% ao ano.

“Olhando para esses dados, acho que a autoridade monetária também segurou a taxa básica de juros no patamar mais alto, de 13,75%. Não há necessidade de aumentar, mas há necessidade de se manter nesse patamar elevado por um número maior de meses, exatamente para evitar que essa demanda se materialize numa inflação mais alta”, avalia o coordenador do IPC.

Segundo ele, a pressão da demanda já é observada nos dados do IPCA-15, a prévia da inflação oficial de outubro. A passagem aérea, por exemplo, subiu em um único mês 28%. “Tem efeito sazonal, mas, em uma condição de mercado de trabalho mais comprimido, isso não aconteceria, teria pouco espaço para acontecer.”

Vários segmentos da economia tiveram um alívio grande nos custos, mas a demanda acaba sustentando a alta de preço. “A própria redução do ICMS diminuiu muito os custos da grande indústria, tanto na parte da energia elétrica quanto na parte de combustíveis fósseis. A gente poderia esperar dessa redução preços de bens e serviços um pouco mais baixos. Há até um recuo na inflação, mas esse recuo é sustentado pontualmente pelo que reduziu de ICMS.”

“Então isso mostra redução de margem. O indivíduo viveu com margens apertadas durante muitos meses, pelo encarecimento dos recursos, a demanda estava apertada e comprimida, o que não permitia grandes repasses. Agora, a demanda volta com mais fôlego e os custos estão menores”, analisa Braz.

Com isso, o ponto de atenção, de acordo com o economista, é a persistência inflacionária que refletiu na quantidade de itens com aumento de preço na última apuração do IPCA: 60% dos bens e serviços avançaram, ganhando um patamar mais alto.

Evolução do rendimento médio real habitual

Em R$, nos trimestres móveis  

Em 2021 

  • nov-dez-jan – 2.891
    • dez-jan-fev – 2.865
    • jan-fev-mar – 2.874
    • fev-mar-abr – 2.840
    • mar-abr-mai – 2.838
    • abr-mai-jun – 2.794
    • mai-jun-jul – 2.769
    • jun-jul-ago – 2.730
    • jul-ago-set – 2.682
    • ago-set-out – 2.642
    • set-out-nov – 2.607
    • out-nov-dez – 2.586

Em 2022

  • nov-dez-jan – 2.612
    • dez-jan-fev – 2.614
    • jan-fev-mar – 2.625
    • fev-mar-abr – 2.614
    • mar-abr-mai – 2.632
    • abr-mai-jun – 2.652
    • mai-jun-jul – 2.689
    • jun-jul-ago – 2.713
    • jul-ago-set – 2.737

Setores com alta no rendimento

As posições na ocupação que tiveram alta no rendimento no trimestre foram as de empregado com carteira de trabalho assinada (2,8%, ou mais R$ 71), empregado no setor público (2,3%, ou mais R$ 92) e empregador (10%, ou mais R$ 613). Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, os destaques ficam por conta do trabalhador doméstico (4,6%, ou mais R$ 46) e daqueles que atuam por conta própria (5%, ou mais R$ 103).

Entre os setores analisados, houve aumento do rendimento médio real habitual na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (10,7%, ou mais R$ 179), indústria (3,4%, ou mais R$ 87), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,4%, ou mais R$ 96), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (3,8%, ou mais R$ 144) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,5%, ou mais R$ 91).

Já na comparação com o intervalo entre julho e setembro de 2021, as altas foram concentradas nas áreas de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (13,2%, ou mais R$ 216), construção (5,7%, ou mais R$ 114), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (8,3%, ou mais R$ 174), outros serviços (8,9%, ou mais R$ 175) e serviços domésticos (4,6%, ou mais R$ 46).

Fonte: R7

IGP-M tem deflação de 0,97% em outubro, diz FGV

Com o resultado, o índice acumula alta de 5,58% no ano e de 6,52% em 12 meses.

IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) teve deflação de 0,97% em outubro, após cair 0,95% em setembro, informou nesta sexta-feira (28) o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Com o resultado, o índice acumula alta de 5,58% no ano e de 6,52% em 12 meses. Em outubro de 2021, o índice havia subido 0,64% e acumulava alta de 21,73% em 12 meses.

O índice é conhecido como “inflação do aluguel” por ser usado para reajustar grande parte de contratos do setor.

Segundo André Braz, Coordenador dos Índices de Preços, combustíveis fósseis e leite explicam a nova queda registrada pela taxa do IGP-M. “No âmbito do produtor, os destaques foram óleo diesel e leite in natura. Já no IPC, os destaques partiram de quedas menos intensas nos preços da gasolina e do leite tipo longa vida”,

Índice de Preços ao Produtor Amplo

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 1,44% em outubro, após recuo de 1,27% em setembro, segundo o Ibre.

Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais variou 0,03% em outubro. No mês anterior, a taxa do grupo havia sido de queda de 0,39%. A principal contribuição partiu do subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de 2,35% para 6,12%, no período. O índice relativo a Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos alimentos in natura e combustíveis para o consumo, caiu 0,24% em outubro, após alta de 0,2% no mês anterior.

A taxa do grupo Bens Intermediários passou de queda de 1,47% em setembro para um recuo de 2,17% em outubro. O principal responsável foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura, que passou de -0,36% para -1,36%. O índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, caiu 1,38% em outubro, ante queda de 0,43% em setembro.

As Matérias-Primas Brutas caíram 1,96% em outubro, após recuo de 1,84% em setembro. Contribuíram para a taxa negativa, segundo o instituto, algodão em caroço (3,95% para -11,02%), aves (-0,72% para -4,58%) e cana-de-açúcar (-0,72% para -2,55%). Em sentido oposto, destacam-se os itens minério de ferro (-4,81% para -1,52%), bovinos (-4,06% para -2,61%) e soja em grão (-1,11% para -0,66%).

Índice de Preços ao Consumidor

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,5% em outubro, após queda de 0,08% em setembro. Segundo a FGV, seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas. A principal contribuição partiu do grupo Transportes (-2,93% para -0,96%). Nesta classe de despesa, a gasolina passou de -9,46% em setembro para -3,74% em outubro.

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Alimentação (-0,34% para 0,57%), Habitação (0,21% para 0,63%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,72% para 0,80%), Despesas Diversas (0,08% para 0,22%) e Vestuário (0,57% para 0,67%).

Dentro dos grupos, o instituto destacou hortaliças e legumes (-0,63% para 6,75%), taxa de água e esgoto residencial (-0,02% para 2,65%), artigos de higiene e cuidado pessoal (1,24% para 1,37%), alimentos para animais domésticos (-0,33% para 1,35%) e roupas (0,44% para 0,84%).

Em contrapartida, os grupos Educação, Leitura e Recreação (4,47% para 3,15%) e Comunicação (-0,54% para -1,03%) registraram decréscimo em suas taxas. Nestas classes de despesa, os destaques são passagem aérea (27,61% para 16,07%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (-0,56% para -2,45%).

Índice Nacional de Custo da Construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,04% em outubro, ante 0,1% em setembro.

Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de setembro para outubro: Materiais e Equipamentos (-0,14% para -0,32%), Mão de Obra (0,26% para 0,31%), e Serviços, repetiu a taxa do mês anterior, de 0,34%.

Fonte: CNN BRASIL

Especialistas explicam como recuperar relações após desavenças por política

Eleições podem afetar relações pessoais e saúde mental, levando a sintomas de ansiedade e estresse, segundo psicólogos.

Às vésperas do segundo turno das eleições, marcadas por embates polarizados e animosidade entre candidatos, o sentimento entre a maioria das pessoas é de exaustão. Bem como ocorreu em pleitos anteriores, o período atual revive discussões acirradas nas redes sociais e brigas entre familiares. Entretanto, os conflitos e a estafa mental podem ser evitados, conforme explicam especialistas. Algo importante a se considerar é que a preferência política de uma pessoa não apaga necessariamente as qualidades e os pontos em comum que ela pode ter com você, segundo explica o docente do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) Fernando Miranda, mestre em psicologia e especialista em comportamento.

“Uma assertiva clássica na mediação de conflitos é: Que tal buscarmos pontos onde nos afinizamos e onde somos semelhantes, ao invés de apenas discordar do ponto em que somos diferentes? Voltar para um ponto de concordância é um primeiro passo para sair de um conflito”, afirma o psicólogo.

Se abster de revelar suas preferências políticas também pode ser um caminho para muitas pessoas, explica o especialista em comportamento.

“Talvez seja difícil para as pessoas mais aguerridas e com mais raiva fazerem isso em redes sociais. Recomendo especialmente para essas pessoas controlar o mal pela raiz, ou seja, a desconexão de redes sociais, pois o anonimato das redes torna muito mais provável que as pessoas se manifestem agressivamente de quem discordam, como já está demonstrado em muitas pesquisas”, diz Miranda.

Se desconectar-se das redes não for possível, em razão de trabalho ou por outro motivo, outra opção seria visualizar menos as redes durante a semana.

Nos casos de relações pessoais presenciais, o professor cita que é sempre bom salientar os pontos positivos de encerrar uma etapa de conflito, mostrando que todos poderão seguir com as suas vidas e deixar a briga definitivamente para trás.

“As eleições logo chegarão ao fim, e apesar de restar divisão política, político A ou B não se importa com a sua opinião, no fundo, apesar de precisar de grupos organizados para sobreviver politicamente. A pessoa pode também compreender quais coisas e relações pode estar perdendo e o pouco que, momentaneamente, está ganhando”, afirma.

Estresse, ansiedade e insônia

O psicólogo Maycon Rodrigo Torres, membro do Laboratório de Psicanálise e Laço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor de psicologia Faculdade Maria Thereza (Famath), explica que preocupações com as eleições podem causar sintomas físicos nas pessoas, principalmente associados à ansiedade.

De acordo com o psicólogo, a ansiedade é um padrão de base emocional com alterações fisiológicas e psicológicas, caracterizada por uma preocupação excessiva com o futuro.

“As eleições são um momento importante de fator social de escolha, pode acontecer a manifestação da ansiedade principalmente no que diz respeito a dores de cabeça, tensão nos músculos e dores nas costas, além de tremor e sensação de desmaio. Podem surgir também alterações associadas ao trato gastrointestinal, como dores de estômago, que são as mais comuns”, afirma.

Uma manifestação comum relatada por pessoas vivenciando algum tipo de estresse ou ansiedade é o distúrbio do sono, principalmente a insônia.

“Os sinais de estresse e ansiedade tendem a se manifestar como o principal sintoma insônia ou sensação de não descansar quando se dorme, muito em função desse excesso de preocupação que pode gerar também excesso de pensamento. Esse tipo de problema acontece por que as eleições, especialmente nesse contexto de polarização política, também se inserem em um processo de reconhecimento de identidade”, explica Torres.

O especialista explica que quando um indivíduo adere a um determinado grupo político, independente da vertente, essa identificação se torna um elemento de coerência com a própria personalidade.

“O medo de que o próximo governo não seja coerente com algum elemento de identificação da sua própria personalidade, o medo do governo ser marcado como um outro, uma outra ideologia, uma outra posição política, isso pode provocar também essa sensação de ansiedade. Há preocupação da pessoa não se reconhecer com o governante, como chegar a entender que o governante é radicalmente oposto aos valores pessoais e éticos e mais amplos que a pessoa tem”, diz.

Controle da raiva

O psicólogo Fernando Miranda recomenda quatro passos utilizados na psicoterapia cognitivo-comportamental para controle da raiva, sentimento que certas vezes está atrelado às provocações comuns deste período pré-eleitoral.

Identificar antes o que costuma lhe aborrecer na fala ou preferência política do outro;

Identificação de um plano de segurança sobre o que fazer quando estiver tomado por esse sentimento (sair do ambiente, ir beber uma água, retornar ao que estava fazendo antes, etc.);

Estabelecer previamente que não fará coisas das quais possa se arrepender depois, tal atitude só servirá para deixar a própria pessoa mais frustrada e com mais raiva;

Mudar a percepção de que muitas vezes a mente, crenças e valores do outro não são moldáveis e que eu próprio posso não estar totalmente certo em minhas escolhas. Assim, desenvolver tolerância e calma com as minhas próprias emoções talvez seja a melhor escolha.

“Bolha pessoal”

Um fenômeno clássico estudado pela Psicologia Cognitiva há anos é o “viés da confirmação”, e acontece quando uma pessoa procura e usa apenas as informações e evidências que apoiam suas próprias ideias ou crenças já existentes.

“As pessoas tendem a consumir conteúdos que reforcem as suas preferências pessoais. Então, tudo aquilo que fura a própria crença, a pessoa tende a evitar. A melhor posição em relação a isso deveria ser exposição a opiniões divergentes. Seria interessante que a pessoa se debruçasse, conseguisse ouvir e procurasse entender qual é a lógica de funcionamento do pensamento do outro”, afirma Torres.

Isso também significa que as informações que não apoiarem suas ideias ou crenças são desconsideradas, segundo explica Fernando Miranda.

“A grande questão que amplifica esse fenômeno nos dias de hoje é que as redes sociais, com seus algoritmos que apontam tendências apenas conforme escolhas de perfis e curtidas já realizadas, tende a reforçar cada vez mais essas crenças já existentes, mostrando apenas o que a pessoa quer ver”, explica.

“Significa que é mais difícil, em tempos de redes sociais, sair de sua bolha pessoal”, complementa.

Como resolver os conflitos?

Em muitos conflitos familiares é bastante comum que as partes passem a se ver como grandes inimigos. Miranda ressalta a importância em reconhecer que palavras dolorosas podem ter sido ditas, além do reconhecimento mútuo de mágoas.

“Para algumas pessoas, talvez seja importante ter um mediador isento para auxiliar a recuperar a relação, e ajudar aquelas pessoas a se recordarem que já se deram bem em algum momento em outros aspectos que não a escolha política, e que há pontos de afinidade onde são semelhantes”, diz.

Para alguns não dispostos, no fundo, a perdoar o outro, talvez seja importante buscar auxílio psicoterápico, comenta Fernando Miranda, a fim de que essa pessoa possa questionar suas verdades autoimpostas, trabalhar o perdão, e definir melhor pontos de concordância e afinidade com a outra pessoa.

O psicólogo Maycon Rodrigo Torres afirma que reconstruir os laços rompidos ao longo do processo eleitoral pode ser um desafio para a sociedade e para os próprios profissionais de saúde mental.

“Uma das vias é tentar promover discussão sobre temas sem trazer a concepção política em jogo. Tentar discutir temas pelos argumentos do próprio assunto, independente de bandeiras políticas, poderia ser uma via de construção. Um outro caminho pode ser tentar fazer um resgate de experiências positivas, a grande questão é a sensação de pertencimento. O ideal é que as pessoas possam promover encontros em que todo mundo se sinta pertencente a um determinado ambiente, independente da ideologia política”, conclui.

Fonte: CNN BRASIL

Impacto de meteoroide revela gelo abaixo da superfície de Marte

Cratera formada após a colisão tem 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade.

Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, divulgou nesta quinta-feira (27) imagens de uma cratera formada após um impacto de um meteoroide na superfície de Marte, que acabou revelando gelo abaixo da superfície do Planeta Vermelho. O material foi publicado no jornal científico Science.

De acordo com os cientistas, o tamanho da cavidade é 10 vezes maior do que as que costumam ser encontradas no planeta, e o meteoroide, provavelmente, tinha cerca de 5 a 12 metros de largura. As estimativas indicam que a cratera tenha 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade (o equivalente a um prédio de aproximadamente sete andares). Parte do material ejetado pelo impacto voou até 37 quilômetros de distância, segundo a Nasa.

Além disso, o impacto gerou um tremor de magnitude 4. Segundo explicaram os pesquisadores, na Terra, isso equivale a um terremoto que poderia ser sentido, mas que não causaria muitos danos, porém Marte é um planeta com pouca atividade sísmica.

A agência conseguiu, então, captar os dados sísmicos com o lander InSight e captar imagens do local do impacto com um satélite. Os cientistas consideram um registro raro, que pode ser visto novamente apenas em “décadas ou gerações”.

A queda do meteoroide aconteceu em 24 de dezembro de 2021, mas os dados foram divulgados para o público nesta quinta. Os cientistas localizaram a cratera em fevereiro deste ano, e classificaram o impacto como um dos maiores desde que começaram a explorar Marte.

Conforme explicou a Nasa em coletiva de imprensa, esses corpos celestes atingem o planeta “o tempo inteiro”, mas um evento do tamanho ao registrado neste caso é algo raro.

Gelo na superfície

Os pesquisadores mostraram empolgação com a revelação de gelo após o impacto. Eles destacaram que já encontraram a água congelada outras vezes, mas o fato de o meteoroide ter “escavado” mais da superfície é animador.

Além disso, foi o local mais próximo da “linha do Equador” de Marte em que foi encontrado gelo.

Segundo destacaram os pesquisadores, além de informações sobre o planeta, essa descoberta é importante para planejamento de exploração espacial, podendo ser, futuramente, até utilizado por astronautas, sendo transformado em água, oxigênio, entre outros elementos.

Durante a coletiva, os cientistas foram perguntados se o gelo não teria sido levado pelo meteoroide. Eles explicaram que as evidências indicam que, pela grandeza do impacto, não é esperado que muito material do corpo celeste “sobrasse” na superfície.

Fim da missão InSight

O robô na superfície que captou o impacto do meteoroide faz parte da missão InSight. Ela foi lançada em 5 de maio de 2018 e pousou no Planeta Vermelho em 26 de novembro do mesmo ano.

Porém, após quatro anos, a exploração está perto do fim. Devido ao acúmulo de poeira nos painéis solares, o robô está com dificuldades de operar, ficando o máximo de tempo possível inoperante para guardar energia.

Os cientistas da Nasa estimam que entre quatro e oito semanas não haverá mais energia suficiente para que ele permaneça ligado.

Ainda assim, classificaram a missão como um “imenso sucesso”, que ultrapassou desafios como o próprio solo do planeta.

Desde o pouso em novembro de 2018, o InSight detectou 1.318 atividades sísmicas, incluindo várias causadas por impactos de meteoroides menores.

Fonte: CNN BRASIL

Amostras de bancos de sangue podem ser usadas para monitorar evolução de epidemias, diz pesquisa

Estudiosos apontam que a nova metodologia pode ser aplicada para rastrear diferentes tipos de doenças infecciosas e calcular a imunidade coletiva.

Pesquisa publicada na revista científica eLife concluiu ser possível calcular a proporção da população previamente infectada (soroprevalência) por SARS-CoV-2 utilizando amostras de doadores de banco de sangue. Com os resultados, além de montar uma espécie de “retrato” da epidemia de Covid-19 no Brasil durante o primeiro ano, os pesquisadores apontam que a nova metodologia pode ser aplicada para rastrear outros tipos de doenças infecciosas e calcular a imunidade coletiva.

Atualmente, os cálculos de soroprevalência são realizados usando amostras aleatórias da população, método considerado mais caro, difícil de ser feito de forma periódica e em tempo real. Esse tipo de monitoramento é importante para entender as características de uma epidemia e estruturar políticas públicas, detectando, por exemplo, os locais onde as medidas de prevenção e tratamento estão funcionando.

Cientistas do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde) testaram 97.950 amostras de doadores de sangue para anticorpos do tipo imunoglobina G (IgG) das oito capitais mais populosas – Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O período analisado foi de março de 2020 ao mesmo mês de 2021.

Os resultados apontaram que a epidemia de Covid-19 foi heterogênea no Brasil, infectando populações diferentes em momentos distintos. Em linhas gerais, a doença começou atingindo primeiro homens e jovens.

“No início, algumas linhas de investigação achavam que todos se infectavam ao mesmo tempo, mas mostramos que isso não é verdade. Em termos de retrato da epidemia concluímos que houve uma heterogeneidade extrema no Brasil, com diferenças de infecção por grupos e uma variação extensiva da taxa de letalidade. Esse era um resultado que não esperávamos”, disse o pesquisador Carlos Augusto Prete Junior, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), autor correspondente do artigo.

O estudo foi parte do doutorado de Prete Junior, que tem como orientador o professor Vitor Heloiz Nascimento, da Poli, e como coorientadora Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo Cadde no Brasil.

Ambos também são autores do trabalho, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do Cadde e da bolsa concedida a Prete Junior, além de contar com financiamento do Instituto Todos pela Saúde. Participaram ainda cientistas do Imperial College London e da Universidade de Oxford, do Reino Unido.

Recentemente, em outro artigo publicado na revista Vaccines, o grupo já havia demonstrado, com base em análise de amostras de bancos de sangue, que foi possível prever a transmissão da variante Delta (detectada na Índia em 2020 e originalmente chamada B.1.617.2) no Brasil.

Nesse caso, eles mediram a quantidade de anticorpos IgG da população fazendo ensaios de micropartículas de anti-S, ou seja, para detectar anticorpos capazes de se ligar à proteína Spike do coronavírus. Com isso, conseguiram relacionar a proteção da vacina a casos da variante Delta e ao nível de mortalidade.

Como foram realizadas as análises

A epidemia de Covid-19 no Brasil foi uma das mais significativas do mundo – até o início de outubro de 2022 haviam sido registrados mais de 34,7 milhões de casos e 687 mil mortes acumuladas pela doença. No entanto, esses números escondem as diferenças da epidemia entre regiões e subgrupos da população, além de não informar a proporção da população previamente infectada pelo vírus. Estimar essa proporção é importante para prever o impacto de futuras ondas da epidemia causadas por novas variantes, segundo os pesquisadores.

Na pesquisa, os cientistas estimaram a soroprevalência ao longo do tempo para as oito capitais usando amostras de doadores de sangue para obter estimativas desagregadas por idade e sexo. Também fizeram estimativas para as taxas de letalidade por infecção específicas por idade – calculando a chamada IFR (sigla em inglês para infection fatality rate), definida como o número de óbitos por infecção – e para as taxas de internação por infecção para essas cidades.

Cada um dos oito bancos de sangue tinha uma cota mensal de mil amostras testadas. Para serem representativas, elas foram selecionadas de modo que a distribuição espacial da localização de residência dos doadores correspondia à divisão da população por zonas administrativas de cada município.

Como a norma brasileira prevê que as amostras de doação de sangue devem ser guardadas por seis meses, os pesquisadores conseguiram selecionar e testar amostras congeladas entre fevereiro (antes do início da pandemia no país) e julho de 2020. Depois disso, passaram a ser selecionadas e testadas em tempo real.

Foram aplicados testes que detectam anticorpos IgG contra o nucleocapsídeo, uma proteína presente no SARS-CoV-2. No entanto, este tipo de teste pode apresentar ao longo do tempo uma queda da sensibilidade de detecção dos anticorpos. Ou seja, à medida que a epidemia progredia, a proporção bruta de indivíduos com resultado de teste positivo diminuía, subestimando a taxa real de infecção.

Para corrigir essa queda de anticorpos foi desenvolvido um modelo Bayesiano de sororeversão baseado em dados de doadores de repetição, ou seja, de indivíduos que doam sangue várias vezes por ano, além de uma coorte de doadores de plasma convalescentes positivos para SARS-CoV-2 sintomáticos não hospitalizados.

“Isso foi importante porque alguns trabalhos no início da pandemia propuseram corrigir somente pelos doadores de plasma. Mostramos, porém, que os doadores de repetição são mais representativos da população de cada município”, explicou Prete Junior.

O pesquisador lembra que esse modelo não chegou a ser aplicado no trabalho publicado pelo grupo na revista Science, em dezembro de 2020, com informações do banco de sangue de Manaus porque à época não havia dados suficientes. Naquele estudo, coordenado por Sabino, foi estimado que 76% dos manauaras já tinham imunidade contra o novo coronavírus, porém antes da entrada de outras variantes do SARS-CoV-2, como a Gama (P.1), depois considerada mais agressiva e letal.

“Logo depois que publicamos o artigo, houve a segunda onda de Covid-19 no Brasil. À época muitos achavam que não havia reinfecção. Agora confirmamos que é possível usar as amostras de doadores de sangue para o cálculo de soroprevalência para monitorar outras doenças, desde que sejam feitos ajustes, como a correção da sororeversão e a estimativa da taxa de ataque para cada grupo por idade e sexo utilizando amostras espacialmente representadas”, completa.

Os resultados mostraram que a taxa de ataque do SARS-CoV-2 em dezembro de 2020, antes de a gama ser dominante, variou de 19,3% em Curitiba a 75% em Manaus. A soroprevalência foi consistentemente menor em mulheres e doadores com mais de 55 anos.

As cidades com maior soroprevalência também tiveram maior mortalidade (número de óbitos por habitante). Entre 1º de março de 2020 e 31 de março de 2021, a taxa de mortalidade padronizada por idade variou de 1,7 óbito por 1.000 habitantes em Belo Horizonte a 5,3 mortes por 1.000 em Manaus, que teve o dobro da mortalidade de Fortaleza, a cidade com a segunda maior proporção de mortes entre as analisadas.

A taxa de letalidade por infecção (IFR) também diferiu entre as cidades, variando de 0,24% em Manaus a 0,54% em Curitiba, e a IFR específica por idade aumentou consistentemente. Para evitar o problema da subnotificação de óbitos por Covid-19, a IFR foi estimada usando o total de mortes por infecção respiratória aguda grave, excluindo as mortes por SRAG causadas por outras etiologias.

Manaus

A variante Gama surgiu em novembro de 2020 e sua prevalência entre as demais variantes cresceu rapidamente para 87% em 4 de janeiro de 2021, com alta proporção de reinfecções. Por isso, a IFR e a taxa de ataque foram estimadas separadamente para a segunda onda de SARS-CoV-2 em Manaus, quando a gama era dominante.

O estudo mostrou que a proporção da população infectada na segunda onda de Manaus foi de até 37,5%, comparada a 75% na primeira onda. A taxa de internação por infecção cresceu durante a segunda onda na capital amazonense, sugerindo aumento da severidade da doença provocada pela variante em comparação às anteriores.

A maior penetração da Covid-19 associada ao colapso do sistema de saúde em Manaus fez com que a taxa de letalidade por infecção da gama fosse ao menos 2,91 vezes maior do que na primeira onda.

Fonte: CNN BRASIL

Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Eleitores que não foram às urnas em 2 de outubro podem votar na segunda etapa da eleição, se estiverem com o título regularizado.

Os eleitores que não votaram no primeiro turno das eleições podem votar no segundo turno, mesmo que ainda não tenham justificado a ausência. A justificativa para quem não foi às urnas no dia 2 de outubro precisa ser feita até o dia 1º de dezembro para que o eleitor continue com o título regularizado.

Segundo a Justiça Eleitoral, só não pode votar quem faltou e não justificou ausência em três turnos consecutivos. Caso esteja nessa situação, a pendêncis só pode ser resolvida em novembro, após o segundo turno.

Quem não fez a justificativa no dia da eleição pode usar o aplicativo e-Título ou o sistema Justifica, da Justiça Eleitoral. É preciso anexar o requerimento de justificativa e a documentação comprovando o motivo da ausência.

Caso não se justifique, ou se a justificativa for indeferida, o eleitor deverá pagar multa, no valor de até R$ 3,51. Em caso de três ausências consecutivas sem justificativa e sem pagamento das multas, o título eleitoral será cancelado.

Situação eleitoral irregular impede a emissão de documentos como identidade e passaporte, o ingresso em cargo público, a participação em concorrências públicas e a renovação de matrícula em alguns estabelecimentos de ensino, entre outras penalidades.

O prazo para a justificativa da ausência do primeiro turno é o dia 1º de dezembro. Já a justificativa para o segundo turno precisa ser feita até o dia 9 de janeiro de 2023. As datas estão fixadas na Resolução 23.669, de 2021, do TSE, que regulamenta a organização do processo eleitoral.

Abstenção

O segundo turno acontece no próximo dia 30. A abstenção eleitoral no primeiro turno foi de quase 32,8 milhões de pessoas, ou 21% do eleitorado. Proporcionalmente, foi a taxa mais alta em 24 anos.

Fonte: R7

CFM suspende norma que restringia uso de canabidiol

Conselho havia editado a norma há dez dias e enfrentou fortes críticas de especialistas e parentes de pacientes que dependem do composto.

Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu suspender a resolução que restringia a prescrição de canabidiol, composto feito a partir da planta cannabis sativa (maconha), após reunião extraordinária nesta segunda-feira (24). O CFM havia editado a norma há dez dias e enfrentou fortes críticas de especialistas e parentes de pacientes que dependem do composto.

Em nota pública, o conselho esclareceu que os termos da norma do dia 14 de outubro estão suspensos, “ficando sob responsabilidade do médico a decisão pela indicação do uso do canabidiol nas apresentações autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)“.

Na semana passada, o CFM já havia decidido rediscutir o tema por meio de consulta pública. A posição desta segunda-feira reafirmou a possibilidade de participação popular para recebimento de contribuições sobre o assunto.

“Os interessados terão 60 dias — de 24 de outubro a 23 de dezembro de 2022 — para apresentar suas sugestões através de uma plataforma eletrônica desenvolvida pelo CFM.”

Os interessados, informou o conselho, podem se posicionar sobre cada um dos artigos e parágrafos da Resolução CFM nº 2.324/2022, devendo informar alguns dados de identificação.

“Depois dessa etapa, o usuário será automaticamente conectado ao sistema, tornando-se apto a apresentar suas propostas. As informações, que servirão de subsídio ao CFM, serão tratadas sob os critérios de sigilo e anonimato.”

Norma enfrentou críticas

Publicada no dia 14 de outubro no Diário Oficial da União (DOU), a norma do CFM foi recebida com críticas por parte de especialistas.

Pela norma agora suspensa, o conselho autorizava a categoria médica a prescrever o produto somente para o tratamento de epilepsias da criança e do adolescente associadas às síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut e ao Complexo de Esclerose Tuberosa — e somente nos casos em que o paciente não tiver apresentado bons resultados com os tratamentos convencionais.

Para a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), a resolução era controversa e as “vedações interferem na realização do tratamento de vários pacientes e proíbem a propagação de conhecimentos canábicos importantes para médicos e pacientes”, segundo informou na oportunidade da divulgação da portaria.

A principal controvérsia apontada pelos críticos da resolução era o fato de já haver 18 produtos de cannabis medicinal aprovados no Brasil pela Anvisa, inclusive um medicamento indicado para o tratamento da rigidez associada à esclerose múltipla.

*Colaboraram Fabiana Cambricoli, Roberta Jansen e Marco Antônio Carvalho, do Estadão Conteúdo

Fonte: CNN BRASIL

ONU: compromissos climáticos estão muito longe de cumprir a meta de 1,5°C

Emissões mundiais devem ter queda de 45% até 2030, na comparação aos níveis de 2010, para que o objetivo seja alcançado.

Os compromissos internacionais sobre o clima estão muito longe de responder ao objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a +1,5 grau Celsius, advertiu nesta quarta-feira (26) a ONU.

“Ainda não estamos nem perto do nível e do ritmo das reduções de emissões necessárias para nos colocar no caminho de um mundo de +1,5 grau Celsius”, afirmou Simon Stiell, secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, por ocasião da publicação de um resumo dos últimos compromissos dos países signatários do Acordo de Paris, a menos de duas semanas do início da conferência mundial sobre o clima COP27.

Pelo contrário, a soma dos compromissos das 193 partes no acordo, “pode colocar o mundo no caminho de um aquecimento de +2,5 ºC até o fim do século”, alerta a agência da ONU.

O Acordo de Paris de 2015 fixa o objetivo de conter o aquecimento do planeta “claramente abaixo de +2ºC em relação aos níveis pré-industriais”, quando a humanidade começou a explorar em larga escala as energias fósseis responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa, e, se possível, a +1,5ºC.

Na COP26, em 2021 em Glasgow, os signatários do acordo se comprometeram a revisar anualmente – e não mais a cada a cinco anos – os compromissos em termos de controle de emissões, chamados de “contribuição determinada a nível nacional” (NDC).

Porém, apenas 24 países apresentaram NDC novas ou revisadas até a data limite de 23 de setembro, a tempo para sua inclusão na COP27, que acontecerá de 6 a 18 de novembro em Sharm el-Sheikh, Egito.

Um número “decepcionante”, destaca Stiell em um comunicado que acompanha a publicação dos novos dados.

“Para manter vivo o objetivo (de +1,5ºC), os governos devem reforçar os planos agora e colocá-los em prática nos próximos oito anos”, insistiu o alto funcionário da ONU.

De acordo com especialistas das Nações Unidas, as emissões mundiais devem registrar queda de 45% até 2030, na comparação com os níveis de 2010, para que o objetivo seja alcançado.

Mas de acordo com o resumo mais recente das NDC, os compromissos atuais levarão, no entanto, a um aumento de 10,6% das emissões durante este período.

Fonte: R7

Guerra na Ucrânia completa oito meses e ‘não tem dia e nem hora para acabar’, diz especialista

Nos últimos 30 dias, conflito se intensificou após destruição da ponte da Crimeia e ataques a Kiev com o uso de ‘drones suicidas’.

A guerra entre Rússia e Ucrânia completa oito meses nesta segunda-feira (24). Durante os últimos 30 dias, o mundo acompanhou a anexação e retomada de diversos territórios, a destruição da ponte da Crimeia e ataques a Kiev com o uso de “drones suicidas”.

Atualmente, com o avanço ucraniano, os embates entre as forças se tornaram inevitáveis e até “mortíferos”, como afirma Gunther Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

De acordo com o cientista político e pesquisador da USP Pedro da Costa Júnior, após as tropas de Zelenski, com respaldo da Otan, destruírem a ponte da Crimeia, uma construção faraônica e símbolo da reconstrução russa, o presidente ucraniano “cutucou o urso com vara curta”, o que foi uma espécie de “gatilho” para que a guerra se tornasse mais intensa nos últimos dias.

“[A destruição da ponte] foi inaceitável. Putin entrou em uma escalada [de violência] desenfreada. Ele começou a bombardear intensamente, com armamento mais pesado, regiões mais amplas e diversificadas, para responder esses ataques à Crimeia”.

Apesar disso, se engana quem acredita que as perspectivas são de que o conflito continue se intensificando. Na opinião dos especialistas, é preciso separar as ações.

“Os ataques às áreas civis, principalmente cidades ucranianas, devem se manter como uma tentativa russa de quebrar a moral do povo ucraniano, e este deixar de apoiar o governo. Na frente de batalha, não necessariamente terá uma violência maior, já que os ucranianos precisam seguir com cuidado para não enfraquecer suas linhas”, explica Rudzit.

Para o cientista político, o conflito é elástico, portanto “vai e volta”, e está nas mãos dos russos, que ditam o ritmo da guerra, acelerando e desacelerando conforme é interessante a eles.

“Depois dessa enxurrada de bombas, mísseis e ataques aéreos em diversas regiões da Ucrânia, com potências diferentes e temporalidades diferentes, em locais imprevisíveis, Putin disse que agora vai reduzir, vai voltar a fazer uma guerra mais padronizada, com mais cuidado com os alvos civis”, relata Costa Júnior.

Na atual condição, os próximos acontecimentos da guerra são imprevisíveis, embora dois cenários sejam possíveis na visão do cientista político. Ainda que menos provável, Rudzit não descarta a decadência das tropas de Putin.

“O maior perigo é que as forças russas colapsem, ou seja, que haja uma deserção em massa, levando à uma possibilidade das forças ucranianas avançarem por todo o leste e até mesmo Crimeia”, pontua.

O cenário com mais chances, porém, é o avanço ucraniano continuar lento. Isso ocorre, principalmente, em razão da chegada do inverno e das incertezas em relação à logística dos equipamentos e munição estrangeiros serem mantidos, fazendo com que não seja possível seguir com o mesmo ritmo de avanço que houve nas últimas semanas.

No entanto, na opinião do pesquisador da USP, as tropas de Kiev estão muito longe de sair vencedoras do conflito, visto que o presidente russo já tomou de 15% a 20% do território ucraniano após a realização dos últimos plebiscitos que resultaram em novas repúblicas autônomas.

“Esses plebiscitos são fajutos na medida em que eles não têm nenhum tipo de reconhecimento pela Otan, pela ONU e pelo Ocidente. Mas isso não interessa tanto no campo das relações internacionais, que são as disputas de poder. Só o poder pode deter o poder”, diz.

Desse modo, não há possibilidade de Zelenski retomar essas zonas, pois o conflito é assimétrico, ou seja, é a segunda potência militar do mundo contra um exército que tem uma força infinitamente menor e que, ainda que esteja sendo apoiado, luta sozinho, pois não há soldados americanos, franceses ou alemães na Ucrânia.

Início do inverno e diminuição do apoio das potências econômicas

Com a chegada do inverno, Zelenski pode ficar ainda mais desamparado. As potências econômicas europeias já diminuíram a ajuda econômica e militar para Ucrânia, pois também estão vivenciando a guerra.

“As sanções acertaram a Rússia, mas tem um efeito bumerangue, acertaram também a Europa, que sofre com a inflação de alimentos e principalmente de energia”, explica o cientista político.

Além disso, historicamente, o inverno russo teve um papel decisivo em alguns conflitos, sendo responsável por derrotar tanto Napoleão como Hitler, na Segunda Guerra Mundial. Contudo, Rudzit revela que, neste caso, a situação é diferente.

“Dessa vez, eles não estão lutando contra franceses ou alemães, e sim ucranianos, que também estão acostumados a invernos gelados. Por isso, há a expectativa de que os embates diminuam, mas existe a possibilidade de que isto não aconteça”, afirma.

Para os especialistas, porém, os russos estão apostando no tempo frio como uma carta na manga e já diminuíram muito o fluxo de energia e de gás para a Europa que, no começo da guerra, tinha um estoque, porém este já está no limite. No inverno, a situação só se agravará, pois a demanda por gás de cozinha e para aquecimento será alta.

“Putin conta com que os custos de energia e de vida em geral, sejam tão altos, que os eleitores europeus se revoltem contra seus governos, e estes venham a abandonar o apoio à Ucrânia”, aponta Rudzit.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Daniel Pinheiro

Fonte: R7

STF define que em partos com internações licença-maternidade conta a partir de alta

Decisão se restringe a casos de internação que excedam duas semanas.

Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que o período de licença-maternidade comece a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido, o que acontecer por último. A medida é válida para casos em que a internação ultrapassar duas semanas.

A ação partiu do partido Solidariedade e questionou trecho da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e da lei que trata de benefícios da Previdência Social. Para o partido, a “interpretação restritiva e literal quanto à forma de contagem da licença-maternidade tem reduzido substancialmente o lapso de convívio entre mães e filhos e prejudica o aleitamento materno recomendado pelas autoridades de saúde”.

Em abril de 2020, o ministro e relator Edson Fachin concedeu, por meio de decisão liminar a ampliação do período de licença-maternidade para mães e bebê que passaram por internação. Na sexta-feira (21), o julgamento foi concluído em plenário.

Em seu voto, Fachin afirma que, “contrariamente à noção de que o desenvolvimento e a justiça social florescem com maior facilidade em meio à omissão do Estado, estudiosos do welfare state têm demonstrado que resultados redistributivos emergem com a universalização de cobertura e não com a sua redução e amesquinhamento”.

A CLT garante às empregadas gestantes 120 dias de licença-maternidade, sem prejuízo do emprego e do salário. A empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28º dia antes do parto e o dia do nascimento do bebê. Os períodos de repouso, antes e depois do parto, poderão ser aumentados de 2 semanas cada um, mediante atestado médico

Aproximadamente 280 mil bebês nascem prematuros no Brasil por ano, segundo dados do Ministério da Saúde, e casos de internação hospitalar por longos períodos das mães e bebês é “frequente”.

Fonte: CNN BRASIL