“Dormir bem” é adicionado a lista de hábitos essenciais para coração e cérebro

Relação não era alterada há 12 anos; para entender como dormir melhor, o CNN Nosso Mundo deste sábado (20) recebe o psiquiatra Arthur Danila.

A Associação Americana do Coração, principal entidade de cardiologia no mundo, adicionou “dormir bem” à lista dos hábitos essenciais para preservar a saúde do coração e do cérebro. Essa relação não era alterada há 12 anos.

A boa qualidade do sono se junta agora a outros sete parâmetros: evitar o tabagismo, ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos e controlar o peso, pressão arterial, concentração de gorduras e açúcar no sangue.

Porém, um estudo da Royal Philips mostra que dormir mal tem sido um problema cada vez mais frequente. A empresa de tecnologia em saúde entrevistou 13 mil adultos em 13 países – incluindo o Brasil – desde o começo da pandemia.

Entre os que participaram do levantamento, 74% dos brasileiros afirmaram terem adquirido um ou mais problemas para dormir.

Para entender como reverter essa situação e descansar melhor, o CNN Nosso Mundo deste sábado (20) recebe o psiquiatra Arthur Danila, coordenador do Programa de Mudança de Hábitos e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Assista ao programa no canal 577 e pelo YouTube da CNN Brasil.

CNN Nosso Mundo é exibido aos sábados, a partir das 23h45.

(publicado por Tiago Tortella, da CNN)

Fonte: CNN BRASIL

Análise: Novo vírus encontrado na China é outra ameaça difícil de prever

Reviravoltas da pandemia de Covid-19 deixaram todos nós mais humildes, possivelmente comprometendo o futuro de prever o que pode estar à frente.

Quando você pensava que 2022 já havia fornecido um século de doenças infecciosas assustadoras, de Covid-19 à varíola dos macacos à poliomielite, as manchetes da semana passada alertaram para mais uma.

No leste da China, o vírus Langya pode ter saltado do musaranho-de-dentes-brancos para humanos. O vírus infectou dezenas de pessoas, mas não ainda não há relatos de mortes.

Muitos podem se perguntar o que está acontecendo. Por que tantas infecções aparecem tão rapidamente?

Várias explicações são plausíveis: talvez um mundo globalmente aquecido e densamente povoado seja mais hospitaleiro para todos os tipos de novos patógenos; talvez novas técnicas moleculares estejam nos permitindo apenas agora diagnosticar a causa dos intermináveis ​​resfriados e erupções cutâneas que as gerações anteriores não podiam nomear, criando um “surto” concreto, não apenas um “inverno horrível”.

Alternativamente, talvez a crescente desconfiança da ciência por trás das recusas de se vacinar ou usar uma máscara tenha empurrado séculos de progresso médico para os dias do pré-iluminismo, quando apenas a oração e talvez uma indulgência poderiam determinar um destino, ou talvez é a internet alimentando um desejo de “clickbait” por sustos de saúde como se fossem filmes de terror.

O que quer que esteja acontecendo, o momento criou uma corrida para encontrar alguém que possa prever o futuro, sem necessidade de experiência. Essa busca por um especialista com bola de cristal remonta a milênios: o Oráculo de Delfos domina as histórias da Grécia antiga, enquanto astrólogos e videntes têm desempenhado um papel semelhante há séculos.

Entre aqueles com pelo menos alguns dedos do pé no mundo científico, temos os meteorologistas, analistas do mercado de ações, pesquisadores políticos e apostadores de Las Vegas – todos eles estão fazendo o seu melhor, mas na análise final, apenas adivinhando, por mais educada que seja a tentativa.

A esta lista foi adicionada, desconfortavelmente, uma nova criatura mítica: o especialista em saúde que é capaz de ver o futuro com precisão e declamar o que, se for o caso, podemos fazer para nos mantermos seguros. Isto é delicado. Estamos há mais de 2 anos na pandemia e nossas previsões não parecem estar melhorando muito.

As reviravoltas da pandemia de Covid-19 deixaram todos nós mais humildes, possivelmente comprometendo o futuro de prever o futuro. Prever o que pode estar à frente, mesmo quando você conhece um assunto de dentro para fora, requer uma mistura estranha de experiência, intuição, bravura, se não egoísmo, e gosto pelo dramático.

Para os médicos, estar errado, muitas vezes, faz parte da rotina diária. Estamos acostumados a isso: um raio-X pode parecer anormal, mas, repetindo, a área em questão acaba sendo apenas um emaranhado de vasos sanguíneos.

Um ataque cardíaco que certamente parece grave resulta em uma internação breve e tranquila, enquanto, em outros casos, o que parece ser um ataque cardíaco leve acaba sendo fatal uma semana depois. Todo dia tem suas lições brutais.

A saúde pública é diferente. A relação de um médico com um paciente é um encontro humano básico ancorado em uma realidade compartilhada. Em contraste, um relacionamento com um público vagamente definido flutua por conta própria, sem regras claras de engajamento.

Essa falta de limites conhecidos é mais evidente na tendência contínua de culpar os especialistas em saúde, não a doença que estão tentando controlar. Ou culpá-los pelo que parece uma recomendação fraca, apenas para criticá-los um dia depois por atrasos em sua próxima rodada de recomendações.

Em certo sentido, tudo isso é esperado; todos nós culpamos o mensageiro com muita frequência. Mas o que é menos fácil de entender é o seguinte: uma semana após o escárnio e o desdém, o mesmo público se apressa para ouvir os mesmos especialistas se pronunciar sobre a próxima ameaça – seja ela qual for.

Os especialistas podem ser reprovados teste após teste, mas nunca são deixados de lado. Para citar o filme de Woody Allen “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”: “Rapaz, a comida neste lugar é realmente terrível.” “Sim, eu sei. E porções tão pequenas.”

Este último passo certamente é evidente no relatório do vírus Langya. Imediatamente após a publicação no New England Journal of Medicine no início deste mês, conselhos para se preocupar ou não se preocupar tanto com a disseminação de doenças zoonóticas surgiram em todos os lugares. Em breve, poderá haver mais especialistas dando conselhos do que casos identificados.

Ajustar-se às notícias de mais um patógeno certamente é inquietante e buscar orientação faz todo o sentido. Talvez, no entanto, devêssemos receber a previsão não como uma coleção infalível de fatos futuros, mas com a mesma mistura de cautela e esperança que saudamos a previsão de um especialista em beisebol que, em agosto, tem a tarefa de prever quem vencerá o campeonato em outubro.

Ou isso ou simplesmente devemos parar de pedir às pessoas que prevejam o futuro. Caso contrário, cada previsão que erra o alvo, ainda que levemente, serve apenas para corroer a confiança do público, não apenas no prognóstico, mas em todo o complexo empreendimento de controle da pandemia.

Kent Sepkowitz é médico e especialista em doenças infecciosas no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York. As opiniões expressas nesta matéria são suas.

Fonte: CNN BRASIL

Brasil registra o menor tempo para abrir empresa; saiba como fazer

O tempo médio chegou a um dia e duas horas, o menor período já registrado pelo painel Mapa das Empresas.

O brasileiro que decidiu ter seu próprio negócio em julho deste ano gastou em média um dia e duas horas para conseguir abrir a empresa. É o menor tempo médio já registrado pelo painel Mapa das Empresas, da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade, do Ministério da Economia.

Nos seis primeiros meses deste ano, foram abertos mais de 2 milhões de empresas no Brasil, ante 830 mil extintas. Ao todo, o país tem mais de 19,61 milhões de empresas ativas. São Paulo lidera entre os estados com o maior número de empresas ativas, com mais de 5,6 milhões, e também foi o estado que registrou o maior número de empresas abertas em 2022: mais de 596 mil.

Segundo a analista de políticas públicas do Sebrae Nacional, Layla Caldas, o país tem avançado na melhoria do ambiente de negócios, sobretudo com a digitalização de alguns serviços públicos, a publicação da Lei da Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/19) e outros dispositivos legais que beneficiaram os pequenos negócios, facilitando a vida do empreendedor.

“A melhoria do ambiente de negócios é focada na redução dos obstáculos que se impõe ao empreendedorismo, como a burocracia enfrentada para formalização e legalização do negócio, para comercialização de seus produtos e serviços, para o pagamento dos impostos, entre outros fatores. Isso passa pela simplificação de normas, pela redução da burocracia, pela melhora dos serviços públicos e pela implantação de políticas de fomento aos pequenos negócios”, explica a analista.

Veja a seguir, a orientação do Sebrae para quem quer abrir uma empresa.

Passo a passo para quem quer ser dono de seu negócio

  1. Saiba que negócio abrir

Você quer se tornar um empreendedor mas não sabe por onde começar ou que negócio abrir? Então, confira os menus Ideias de Negócios e Tipos e Ramos, do Sebrae. Confira sugestões de como ganhar dinheiro, descubra o que é preciso ter para montar um negócio e veja como o Sebrae classifica e apoia a atividade escolhida.

  1. Veja se você tem perfil

    Para tornar um negócio realidade, é preciso ter perfil empreendedor, conhecer a realidade do mercado e organizar um plano de negócios. Clicando, você aprenderá a fazer o documento, que serve como um mapa para sua empresa chegar ao sucesso.

  2. Reúna informações sobre o negócio

    Em seguida, você precisa coletar informações para dar subsídio consistente à criação da empresa, pesquisando dados sobre:

  1. Organize-se

    A quarta iniciativa é organizar as informações coletadas. Ao conhecer o mercadovocê conseguirá construir o plano de negócios e definir estratégias para posicionar corretamente a sua empreitada.

  2. Como obter crédito

    Paraobter crédito, você pode precisar de dicas de gestão de dinheiro e de como conseguir auxílios financeiros para as suas necessidades profissionais. Você terá auxílio com os seguintes tópicos:

  • Fornecedores e os prazos de pagamento.
    • Financiamentos e análise das necessidades.
    • Renegocie o pagamento de empréstimos.
    • Qual o melhor financiamento para o seu negócio.
    • Que garantias a empresa deve apresentar para obter crédito.
  1. Coloque a mão na massa

A última etapa é registrar o negócio e torná-lo realidade. Saiba o que é necessário para formalizar o empreendimento. Nessa página você encontrará informações e dicas sobre como registrar marcas e patentes e os seguintes materiais:

Fonte: Sebrae

Ranking dos negócios que mais abrem no Brasil

Atividades econômicas (levando-se em conta o número total de empresas no país)

  • Comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios – 1,06 milhão
  • Cabeleireiros, manicures e pedicures – 799 mil
  • Promoção de vendas – 539 mil
  • Obras de alvenaria – 512 mil
  • Comércio varejista de mercadorias, minimercados, mercearias e armazéns – 461 mil
  • Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares – 436 mil
  • Restaurantes e similares – 388 mil

Fonte: R7

Cientistas buscam “ressureição” do tigre-da-Tasmânia, extinto há quase 100 anos

Através de avanços na genética e recuperação de DNA, pesquisadores australianos acreditam que técnica pode ajudar também animais atualmente ameaçados de extinção.

Quase 100 anos após sua extinção, o tigre-da-Tasmânia pode voltar a viver novamente. Os cientistas querem ressuscitar o marsupial carnívoro, oficialmente conhecido como Thylacinus cynocephalus, que costumava vagar pelo mato da Austrália.

O ambicioso projeto aproveitará avanços em genética, recuperação de DNA antigo e reprodução artificial para trazer de volta o animal.

“Nós defendemos fortemente que, em primeiro lugar, a proteção de nossa biodiversidade de novas extinções, mas infelizmente não estamos vendo uma desaceleração na perda de espécies”, disse Andrew Pask, professor da Universidade de Melbourne e chefe do Laboratório Integrado de Pesquisa em Restauração Genética, que está liderando a iniciativa.

“Esta tecnologia oferece uma chance de corrigir isso e pode ser aplicada em circunstâncias excepcionais onde as espécies fundamentais foram perdidas”, acrescentou Pask.

O projeto é uma colaboração com a Colossal Biosciences, fundada pelo empresário de tecnologia Ben Lamm e pelo geneticista da Harvard Medical School George Church, que estão trabalhando em um projeto de US$ 15 milhões igualmente ambicioso para trazer de volta uma espécie de mamute em uma forma alterada.

Do tamanho de um lobo, o tigre-da-Tasmânia desapareceu há cerca de 2.000 anos em praticamente todos os lugares, exceto na ilha australiana da Tasmânia. Como único predador marsupial dos tempos modernos, desempenhou um papel fundamental em seu ecossistema, mas também o tornou impopular entre os humanos.

Os colonos europeus da ilha em 1800 culparam o animal pelas perdas de gado (embora, na maioria dos casos, os cães selvagens e a má gestão do habitat fossem os verdadeiros culpados), e caçaram os tímidos tigres-da-Tasmânia até o ponto de extinção.

O último de sua espécie, que vivia em cativeiro, chamado Benjamin, morreu em 1936 no zoológico de Beaumaris, na Tasmânia. Essa perda monumental ocorreu logo após os animais terem recebido o status de proteção, mas era tarde demais para salvar a espécie.

Plano genético

O projeto envolve várias etapas complicadas que incorporam ciência e tecnologia de ponta, como edição de genes e construção de úteros artificiais.

Primeiro, a equipe vai construir um genoma detalhado do animal extinto e compará-lo com o de seu parente vivo mais próximo – um marsupial carnívoro do tamanho de um camundongo chamado dunnart-de-cauda-grossa– para identificar as diferenças.

“Nós, então, pegamos células vivas de nosso dunnart e editamos seu DNA em todos os lugares onde ele difere do tigre-da-Tasmânia”, explicou Pask.

Uma vez que a equipe programou com sucesso uma célula, Pask disse que células-tronco e técnicas reprodutivas envolvendo dunnarts como substitutos “transformariam essa célula de volta em um animal vivo”.

“Nosso objetivo final com essa tecnologia é restaurar essas espécies na natureza, onde elas desempenharam papéis absolutamente essenciais no ecossistema. Portanto, nossa esperança final é que você as veja novamente na mata da Tasmânia um dia”, disse ele.

O dunnart-de-cauda-grossa é muito menor do que um tigre-da-Tasmânia adulto, mas Pask disse que todos os marsupiais dão à luz filhotes pequenos, às vezes do tamanho de um grão de arroz. Isso significa que mesmo um marsupial do tamanho de um camundongo pode servir como mãe substituta para um animal adulto muito maior, pelo menos nos estágios iniciais.

A reintrodução do tigre-da-Tasmânia ao seu antigo hábito teria que ser feita com muito cuidado, acrescentou Pask.

“Qualquer soltura como essa requer o estudo do animal e sua interação no ecossistema ao longo de muitas estações e em grandes áreas de terras fechadas”, afirmou.

A equipe não estabeleceu um cronograma para o projeto, mas Lamm disse acreditar que o progresso seria mais rápido do que os esforços para trazer de volta o mamute, observando que os elefantes levam muito mais tempo para gestar.

As técnicas também podem ajudar marsupiais vivos, como o diabo da Tasmânia, que lutam contra a intensificação dos incêndios florestais como resultado da crise climática.

“Todas as tecnologias que estamos desenvolvendo têm benefícios imediatos de conservação – agora – para proteger as espécies de marsupiais. Biobancos de tecido congelado de populações vivas de marsupiais foram coletados para proteger contra a extinção”, disse Pask.

“No entanto, ainda não temos a tecnologia para pegar esse tecido – criar células-tronco marsupiais – e depois transformar essas células em um animal vivo. Essa é a tecnologia que desenvolveremos como parte deste projeto.”

Animais híbridos

O caminho a seguir, no entanto, não é definitivo. Tom Gilbert, professor do Instituto Globe da Universidade de Copenhague, disse que há limitações significativas para a “desextinção”.

Recriar o genoma completo de um animal perdido a partir do DNA contido em esqueletos antigos é extremamente desafiador e, portanto, algumas informações genéticas estarão faltando, explicou Gilbert, que também é diretor do Centro de Genética Evolutiva da Fundação Nacional de Pesquisa Dinamarquesa.

Segundo ele, a equipe não será capaz de recriar exatamente o tigre-da-Tasmânia, mas acabará criando um animal híbrido, uma forma alterada.

“É improvável que obtenhamos a sequência completa do genoma da espécie extinta, portanto, nunca seremos capazes da recriação completa. Sempre haverá algumas partes que não podem ser alteradas”, disse Gilbert. “Eles terão que escolher a dedo as mudanças a serem feitas. E assim o resultado será um híbrido.”

É possível, avalia o pesquisador, que um animal híbrido geneticamente imperfeito possa ter problemas de saúde e não sobreviva sem muita ajuda de humanos. Outros especialistas questionam o próprio conceito de gastar dezenas de milhões de dólares em tentativas de extinção quando tantos animais vivos estão à beira do desaparecimento.

“Para mim, o real benefício de qualquer projeto de ‘desextinção’ como este é a sua grandiosidade. Fazê-lo parece muito justificado para mim simplesmente porque vai animar as pessoas sobre ciência, natureza e conservação”, disse Gilbert.

Fonte: CNN BRASIL

Colômbia proporá fundo internacional para preservação da Amazônia

Presidente colombiano diz que levará a iniciativa à próxima conferência da ONU sobre o clima, a COP27.

presidente da Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro, anunciou nesta quinta-feira (18) que vai pedir aos países ricos e grandes empresas que paguem aos camponeses para cuidar da floresta amazônica e recuperar áreas desmatadas.

Petro, em visita a Leticia (sul), capital do departamento do Amazonas, disse que levará a iniciativa à próxima conferência da ONU sobre o clima, a COP27, que será realizada no Egito em novembro.

“É preciso criar um fundo financeiro de aproximadamente 500 milhões de dólares ao ano, permanentemente por 20 anos, para que as grandes empresas do mundo e os governos mais ricos possam, se realmente quiserem avançar na luta contra as mudanças climáticas, nos financiar através de títulos de carbono ou através de contribuições diretas”, explicou Petro em uma escola indígena.

Com esse dinheiro, o novo governo espera pagar salários mensais a “cem mil famílias amazônicas” que deixem “nascer a floresta onde já foi queimada” ou protegê-la “onde é vulnerável” para “resgatar 21 milhões de hectares” destruídos na sub-região mais rica e densa em biodiversidade do planeta.

A bacia amazônica, com 7,4 milhões de km², cobre quase 40% da América do Sul e abrange nove países, com uma população estimada de 34 milhões de pessoas.

primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia tomou posse em 7 de agosto com um ambicioso projeto ambiental que visa conduzir o país em direção às energias limpas e cessar a exploração de novos poços de petróleo, entre outras medidas.

Em um discurso sob forte chuva, o presidente também ordenou que a força pública capture os “grandes predadores da floresta amazônica” e “responda imediatamente” a qualquer incêndio.

A Colômbia é um dos países com maior biodiversidade do mundo e o mais perigoso para os líderes ambientais, que são alvos frequentes do prolongado conflito armado, segundo a ONG Global Witness.

Entre 2018 e 2021, o país perdeu uma área de 7.018 km² devido ao desmatamento, pouco maior que a extensão da cidade de São Paulo, segundo a ONU.

A maioria das florestas devastadas foi registrada na Amazônia.

“Se destruírem a floresta amazônica, uma das maiores esponjas de gás C02 que está aquecendo o planeta e mudando o clima, (…) a humanidade vai acabar”, alertou Petro.

Fonte: Folha de Pernambuco

China anuncia envio de tropas para a Rússia

Pequim afirma que militares participarão de exercício conjunto, mas não esclarece se participarão da guerra na Ucrânia.

Em meio a fortes tensões com os Estados Unidos, a China anunciou nesta quarta-feira (17) que enviará tropas para a Rússia. Segundo Pequim, os militares participarão em um exercício conjunto no país.

O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa chinês. De acordo com a pasta, tropas da Índia, Belarus e Tajiquistão também participarão dos exercícios, que ocorrerão em território russo ainda sem data confirmada.

A participação da China nos exercícios conjuntos “não tem relação com a atual situação internacional e regional”, afirmou o ministério em comunicado.

Os exercícios fazem parte de um acordo de cooperação anual bilateral, acrescentou a pasta. Exercícios conjuntos semelhantes liderados pela Rússia envolvendo a China já foram realizados em outros anos.

Tensões com os EUA

O anúncio acontece em meio a um dos momentos mais tensos entre os Estados Unidos e a China nos últimos anos.

As tensões se acirraram no início deste mês, quando a presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, fez uma visita à Taiwan, que o governo chinês reivindica como parte de seu território.

Pequim, portanto, considerou a visita como uma provocação dos EUA, que mantêm uma política de ambiguidade em relação à ilha – Washington não reconhece Taiwan como independente, mas, ao mesmo tempo, mantêm relações com o governo local.

Desde então, aviões e navios militares chineses têm feito exercícios militares constantes ao redor de Taiwan e com inúmeras invasões ao espaço aéreo da ilha.

Fonte: G1

Valores a receber: prevista para maio, 2ª fase de consultas segue sem data para início

O retorno das consultas ao chamado ‘dinheiro esquecido’, que estava previsto para começar no dia 2 de maio, foi adiado por conta da greve de servidores do BC e ainda não foi remarcado.

Marcada para começar no dia 2 de maio, a segunda fase de consultas do “dinheiro esquecido” nos bancos – o Sistema de Valores a Receber – ainda segue sem previsão para início.

retomada do sistema foi adiada por conta da greve de servidores do BC, que atrasou a implementação da ferramenta.

A paralisação dos servidores, no entanto, terminou há 40 dias – e o BC ainda não anunciou a retomada das consultas.

O BC estima que há cerca de R$ 8 bilhões em valores esquecidos, mas na primeira fase do serviço ficaram disponíveis cerca de R$ 4 bilhões para devolução.

Os valores a receber podem ser de recursos remanescentes de:

contas-correntes ou de poupança encerradas, com saldo disponível;

tarifas e parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, desde que a devolução esteja prevista em Termo de Compromisso assinado pelo banco com o BC;

cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários e participantes de cooperativas de crédito;

recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados.

Primeira fase

No dia 16 de abril, o BC encerrou a última “repescagem” para os saques da primeira fase dos recursos esquecidos por brasileiros nos bancos. A repescagem é dos valores da primeira fase do programa. Mais valores serão liberados na segunda fase.

Até 24 de março, 2,85 milhões pessoas físicas e jurídicas solicitaram resgate de seus valores a receber, totalizando R$ 245,8 milhões.

Entre as pessoas físicas que pediram a devolução, 2.516.990 solicitaram transferência via Pix, totalizando R$ 205.099.139,18, enquanto 328.947 preferiram receber os dados de contato das instituições financeiras, somando R$ 34.370.940,12.

Entre as pessoas jurídicas, 5.113 solicitaram a devolução dos valores via Pix (R$ 5.012.975,84) e 1.059 receberam dados de contato (R$ 1.326.419,82).

Se você perdeu a sua data de agendamento, o Banco Central informa que não há motivo para se preocupar. Não há risco de perder seus valores a receber, pois eles continuarão guardados pelas instituições financeiras, esperando que você solicite a devolução, quando as consultas ao SVR forem retomadas.

Segunda fase

Desde o dia 17 de abril, o sistema Valores a Receber passa por uma reformulação. Confira, abaixo, algumas das mudanças para o segundo ciclo:

Não haverá mais necessidade de agendamento. Será possível pedir o resgate dos recursos no momento da primeira consulta;

O sistema contará com informações novas repassadas pelas instituições financeiras. Ou seja, mesmo quem já resgatou seus recursos e quem não tinha valores a receber na primeira etapa deve consultar novamente o sistema, pois os dados serão atualizados e pode haver recurso novo.

Fonte: G1

Xepa virtual ajuda consumidor a economizar até 70% nas compras

Com política de desperdício zero, empresas recuperam produtos fora do padrão comercial, próximos do vencimento ou excedentes.

A ideia é a mesma de sempre, economizar, mas o conceito de xepa se modernizou: agora, para comprar produtos mais baratos por causa de algum defeito ou de uma pequena deformação, existem mais alternativas além da pechincha no fim da feira livre. Várias novas empresas, a maioria de e-commerce (comércio digital), chegaram ao mercado para combater o desperdício, dar uma segunda chance a alimentos e outros itens rejeitados pelo comércio tradicional, e ajudar os consumidores a gastar menos nas compras.

Quanto ao desperdício, esses empresários dizem que é inaceitável não fazer nada ao saber que 30% de todo o alimento produzido no mundo é descartado. No caso dos legumes, verduras e frutas, por exemplo, isso acontece com os itens considerados fora do padrão desejado para a venda, que nem chegam às bancas das feiras ou prateleiras dos sacolões e supermercados.

Esse padrão está relacionado com a aparência do produto, inclui tamanho, cor e formato. Também são deixados de lado aqueles que amassaram, ficaram com algum defeito ou perderam parte da casca durante o transporte.

Assim, o que motiva o descarte não é o sabor, a qualidade nutricional ou a adequação ao consumo. Apesar de serem esteticamente diferentes, essas mercadorias, que teriam como destino o lixo, podem e devem ser consumidas.

Algo parecido acontece com outras duas categorias de produtos: itens industrializados com a data de validade próxima do vencimento, e alimentos preparados por restaurantes, bares e padarias e não vendidos até o final do dia. Nos dois casos, os artigos estão apropriados para o consumo, mas como não podem ser vendidos pelos estabelecimentos de origem, acabam sendo desprezados.

São esses produtos que a xepa virtual recupera. Funciona mais ou menos assim: as empresas negociam diretamente com o produtor, fábrica ou estabelecimento a compra dos itens desprezados por um preço bem mais baixo que o habitual, que pode ser até 70% menor que o valor comercial habitual. Depois, são organizados kits com os itens disponíveis, vendidos em plataformas digitais, por meio de assinaturas ou aplicativos em dispositivos móveis.

Diferentes xepas

Mesmo não sendo restrita aos vegetais, a xepa moderna conta com companhias que se dedicam a comercializar frutas e legumes. Uma delas é a startup Fruta imperfeita, definida como “um delivery de cestas de frutas e legumes com formatos estranhos, mas deliciosas e nutritivas”.

Tudo o que é vendido vem de sítios de pequenos produtores. No site da Fruta Imperfeita, o cliente escolhe a frequência de recebimento, se quer comprar uma cesta avulsa ou fazer uma assinatura semanal ou quinzenal. Também pode selecionar o tipo de cesta, se apenas com frutas, só com legumes ou mista, e decidir qual é o melhor tamanho para sua família: PP (de 3 kg), P (5 kg), M (7 kg) ou G (10 kg). Ainda é possível informar os itens que ele não deseja que sejam incluídos, e há as opções de receber em casa, se o endereço estiver dentro da área atendida, ou retirar os produtos em uma loja.

Uma cesta PP mista avulsa, por exemplo, custa R$ 33, segundo cotação feita na página da Fruta imperfeita na internet, para entrega em um endereço na região central de São Paulo. Se a opção for por uma cesta apenas com frutas, o preço de uma no tamanho P, com 4 kg e frequência quinzenal, é R$ 84, valor que deve ser pago a cada 28 dias.

Outra foodtech (empresa de tecnologia voltada ao setor de alimentação) que vende assinaturas de cestas com produtos de hortifruti é o mercado Diferente, que faz entregas na maior parte da cidade de São Paulo. Graças a parcerias com produtores de orgânicos certificados, a companhia resgata alimentos fora do padrão, que seriam jogados fora, e oferece ao consumidor até 40% de desconto em relação ao preço dos mercados tradicionais.

O processo para fazer a assinatura é bem parecido com o que já foi descrito: no site da empresa, o cliente seleciona o tamanho de cesta (pequena, média ou grande), a frequência que quer receber em casa (semanal ou quinzenal), e indica qualquer restrição alimentar que tenha. Os produtos oferecidos dependem da sazonalidade e da colheita da semana, por isso a seleção do que vai na cesta é surpresa.

O mercado Diferente foi fundado em janeiro por quatro sócios, todos empresários experientes em startups: Eduardo Petrelli (ex-James Delivery), Saulo Marti (ex-Olist), Paulo Monçores (ex-VTex) e Walter Rodrigues (ex-Rappi). A motivação deles, além de combater o desperdício, é contribuir para proporcionar uma alimentação saudável a todos.

“Durante a introdução alimentar da minha filha, comecei a pensar mais sobre a importância dos orgânicos”, conta Saulo Marti, diretor de marketing da empresa. “Estamos nos juntando a parceiros de peso para revolucionar esse mercado e a alimentação saudável na América Latina, fazer com que esse tipo de alimento possa chegar à mesa de muito mais gente, impactando a vida e a saúde dessas pessoas”, completa.

O Diferente já tem 50 funcionários nas áreas administrativa e operacional, diz Eduardo Petrelli, um CD (centro de distribuição), com duas câmaras frias, ao lado da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Lá é feita a montagem das cestas que, depois, são enviadas para os assinantes. As entregas, realizadas por empresas terceirizadas, ocorrem às terças, quintas e sábados.

“A cesta mais pedida é a M, é a que as pessoas costumam pedir no começo da assinatura, e depois mudam para a de tamanho G”, conta o empresário. Uma curiosidades sobre o negócio, segundo Petrelli, é que o jiló é o legume menos popular, o mais citado nas listas de restrições. “O inhame também causou estranhamento no início, muita gente não sabia o que era. Por outro lado, os campeões de elogios são o maracujá, a mexerica e o abacaxi”, revela.

Sobre os clientes, os sócios dizem que as pessoas que aderiram ao serviço logo no começo tinham o perfil de consumidor consciente, preocupado com o meio ambiente, vegano, vegetariano, e aqueles que gostam de cozinhar. Hoje, a maioria é de mulheres acima de 35 anos. “Nosso foco é na experiência do consumidor. Temos um chef de cozinha no time, e parcerias com nutricionistas e chefs para a criação de receitas para colocarmos nas redes sociais. Também temos quatro influenciadores que produzem conteúdo para nosso público. Queremos dar ideias do que fazer com o que vem na cesta”, fala Marti.

Produção excedente

Quem nunca se perguntou qual seria, no final do dia, o destino dos pães e doces não vendidos pelas padarias? Os excedentes da produção diária de restaurantes, bares, pastelarias, cafés, lanchonetes, hamburguerias e padarias, entre outros estabelecimentos, podem ter fins diferentes, mas boa parte deles, ainda com qualidade para consumo, acaba indo para o lixo.

Pensando em diminuir esse desperdício, Caio Ribeiro, Carlos Keiichi e Felipe Barros lançaram há dez meses o Cheap Food, um aplicativo que conecta estabelecimentos interessados em vender a produção excedente ou itens com data de validade próxima ao vencimento a consumidores que querem comprá-los. Os descontos chegam a até 70%.

No app, o consumidor escolhe uma sacola surpresa, que pode ter alimentos doces, salgados ou ser mista (com doces e salgados), e há três opções de preço, de acordo com o tamanho e a quantidade de itens: R$ 10,90, R$ 14,90 e R$ 29,90. A empresa já fechou parcerias com mais de 150 estabelecimentos, e tem mais de 10 mil clientes, 60% na Baixada Santista e 40% na cidade de São Paulo, principalmente na zona sul.

“Nosso time ainda é bem enxuto e, por enquanto, nosso foco são os pequenos e médios comerciantes, que fabricam seus produtos e têm excedentes diários ou próximos do vencimento, como confeitarias, padarias e pizzarias. Mas a ideia é expandir para mercados e até para produtos pet”, diz Caio Ribeiro, que é formado em engenharia de petróleo, assim como o sócio Carlos, que foi seu colega na faculdade. Felipe é o responsável pelo aplicativo e toda a área de tecnologia da companhia.

Ribeiro conta que, apesar da área de formação, sempre trabalhou com gastronomia. “O Carlos teve um restaurante, eu morei nos Estados Unidos, trabalhei com comida grega. Em uma viagem pela Europa, conhecemos a startup Too Good To Go, que foi a inspiração para o nosso negócio. Queremos fortalecer o conceito de consumo consciente, evitar o descarte indevido de alimentos, a poluição do solo, a produção de gases de efeito estufa e retornar capital para os estabelecimentos. Esse é o impacto que desejamos causar”, resume.

Hoje, o Cheap Food vende, em média, mil Cheap Boxes por mês, mas a meta é chegar às mil sacolas por dia. A maior clientela está em Santos, local onde retirar os produtos é preferência, em relação ao delivery. Segundo Ribeiro, os produtos que têm mais saída, e recebem mais elogios no aplicativo, são os de confeitaria, como bolos, tortas, biscoitos, seguidos por pães e salgados, mas ele afirma que a variedade é grande e, como as boxes são surpresa, não é possível ter certeza.

“O desenvolvimento do aplicativo foi um grande desafio, porque ele tem quatro partes, uma voltada para o cliente, outra para o entregador, um painel para o estabelecimento e o painel de administração geral, que a gente usa para controlar tudo”, diz o empresário.

Além disso, ele cita algumas dificuldades para colocar um negócio em pé. “Foram diversas fases: a primeira foi a construção do conceito e, depois, tirar a ideia da teoria. Daí, teve a questão do dinheiro, das condições societárias. Fomos atrás de investidores, para vender o projeto, que ainda era só um sonho. Conseguimos R$ 100 mil na primeira rodada. Com tudo isso, ainda faltava nosso produto responder. Agora que começou a dar certo, buscamos mais R$ 810 mil de investimentos”, conta.

Outra startup que também “salva” alimentos excedentes de restaurantes, padarias, lanchonetes, e também de hortifrútis, além de produtos com vencimento próximo à data de validade, é a Food To Save, que dá descontos de até 70% para os consumidores.

Pelo site ou aplicativo, o usuário escolhe o estabelecimento, que seleciona os itens excedentes, e monta a Sacola Surpresa, de acordo com a disponibilidade. Ela pode ser doce, salgada ou mista, e os preços são variados, algo em torno de R$ 10,99 e R$ 15,99. Depois, é só informar se deseja receber em casa ou retirar no local.

Já são mais de 400 mil usuários cadastrados e mil parceiros como restaurantes, padarias, cafeterias, confeitarias e hortifrútis. A região atendida inclui São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Valinhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Osasco, Mauá, Mogi das Cruzes, Santos, Diadema, Taboão da Serra, Barueri, Cotia e Poá.

Refood é outra opção para quem quer comer bem gastando pouco e ainda ajudar na luta contra o desperdício alimentar. Por meio do aplicativo, restaurantes, cafés, bares, padarias, mercados e hotéis anunciam sacolas-surpresa com alimentos excedentes do dia, para consumo imediato, por um preço 66% menor, e que podem ser retiradas pelo comprador, a partir do horário informado no app. Para os estabelecimentos, o incremento de margem com a venda pode chegar a até 90%.

A inspiração para criar a empresa também foi a startup internacional Too Good To Go, conta o paulistano Pietro Lancieri, um dos sócios.

Ele se uniu ao espanhol Marcos Nofuentes e aos brasileiros André Paraense e Luciano Touguinha para adaptar a ideia ao mercado nacional e criar a Refood. “A empresa foi fundada em fevereiro de 2021, mas só entramos no mercado há um ano, em agosto. Nossa proposta é conectar estabelecimentos que têm produtos excedentes com pessoas do bairro, que podem se programar para ir retirar sua sacola”, diz Lancieri.

Para ele, a empresa enfrentou dois grandes desafios: “o primeiro foi a ‘evangelização’ do consumidor e dos estabelecimentos, com o objetivo de criar o senso de comunidade. O segundo é a necessidade de estar sempre atento ao que acontece, aos movimentos do mercado. Nossa ideia, desde o início, é ser 100% sustentável, é respeitar o conceito de ESG [sigla em inglês para environmental, social and governance, que se refere a questões ambientais, sociais e de governança corporativa]. Para isso, não fazemos entrega, pensamos que o cliente sair para andar perto de casa, para retirar o pedido, seria mais sustentável. Mas percebemos que há uma parcela dos consumidores que precisam do delivery, e o ‘S’ da sigla é de social, que temos que atender também”, explica, dizendo que esse serviço está em análise.

A maioria dos estabelecimentos cadastrados no Refood fica entre os bairros Pinheiros, Vila Madalena, Jardins, Itaim e Vila Olímpia, em São Paulo. Entre eles, está o badalado restaurante Miró Gastronomia, comandado pelo chef Dalton Rangel.

foodtech 12+ funciona de maneira muito parecida com as demais: dá um novo destino aos excedentes de comida que não são vendidos durante o dia ou a produtos com “tempo de vida curto”, mas que ainda estão em perfeitas condições para o consumo.

Por meio do aplicativo, restaurantes, padarias, supermercados e outros estabelecimentos parceiros anunciam sua Box do Dia, com descontos de até 60% sobre o preço habitual dos produtos. O usuário, então, faz sua escolha e confirma seu pedido, comprometendo-se a ir ao local na hora marcada para a retirada do kit.

A startup faz a intermediação dos serviços de venda dos produtos através da plataforma 12+ em nome das lojas, e sua intervenção é a de um mero agente de pagamento, que atua em nome dos estabelecimentos. A área de cobertura prioritária da 12+ é a região metropolitana do Rio de Janeiro.

Prazo de validade

Um trabalho de faculdade virou o ganha-pão e motivo de orgulho de Luis Borba, fundador e CEO (diretor executivo) do SuperOpa, aplicativo para compra de mercadorias com desconto. Formado em administração pela FGV (Fundação Getulio Vargas), ele tem como sócio Leandro Zanardi, que foi seu professor e maior incentivador, e hoje é CTO, diretor de tecnologia, da empresa.

O aplicativo existe desde dezembro de 2019 e foi criado com o objetivo de reduzir o desperdício de alimentos. Indústrias e distribuidores que têm produtos com prazo de validade mais curto, ou com algumas imperfeições, mas ainda bons para consumo, são conectados diretamente ao consumidor final, que pode economizar até 70% nas compras de alimentos, bebidas e produtos de higiene e beleza.

“Começamos operando como um marketplace, em 2020, com lojas parceiras, como se fosse um shopping online, em que o usuário localiza as lojas mais próximas de seu endereço, ao informar o CEP. E cada estabelecimento anuncia, no aplicativo, sua gama de produtos, aqueles que estão com alguma avaria na embalagem ou, então, os que estão com a data de validade mais próxima do vencimento”, explica Cristiane Lamanna, diretora de marketing e comunicação.

Ela conta que, desde fevereiro deste ano, além das lojas de parceiros, o app tem também uma loja própria, a Opa Economia, que oferece produtos negociados diretamente com a indústria. “É mais uma opção para o cliente. A gente tem um centro de distribuição aqui em Campinas. Trazemos para cá as mercadorias que compramos, e toda a operação é feita por nós mesmos, da separação à logística e entrega nas mãos do consumidor”, diz Cristiane.

De 2021 para 2022, o SuperOpa cresceu 400% em downloads e faturamento. A empresa já tem mais de 50 mil clientes, e a área coberta abrange mais de 500 cidades do estado de São Paulo, principalmente na região entre São Paulo e Campinas. São 32 funcionários contratados, sem contar a equipe que faz as entregas, que é terceirizada.

“Nosso objetivo é expandir, ter mais centros de distribuição, menores e em outras localidades, e inaugurar pontos de retirada, onde as pessoas possam ir buscar seus pedidos”, fala a diretora da empresa. Em junho, foi criado, como projeto-piloto, o primeiro desses pontos, em parceria com a Fundação Tide Setubal e o Quintessa, organização de apoio a empreendedores.

“Esse primeiro ponto de retirada é um contêiner que a gente colocou dentro da comunidade do Jardim Lapenna, na zona leste de São Paulo. É uma loja específica para o pessoal dessa comunidade, que faz o pedido no aplicativo e retira a compra, com frete grátis, ali no contêiner. Todo dia a gente tem rota de entrega para lá, para levar os pedidos deles. É um projeto que a gente está testando para conseguir levar produtos mais baratos para mais gente”, diz Cristiane.

Ela afirma que algumas pessoas deixam de fazer compras online por conta do frete, e acabam preferindo ir ao mercadinho da esquina, pensando ser mais barato. “Mas, na maioria das vezes, não é. Lá não tem as mesmas oportunidades, porque recebemos produtos com preços imbatíveis, então queremos oferecer isso para a galera que precisa mais, né? Já estamos mapeando outras regiões e comunidades, pensando em outros pontos de retirada.”

No SuperOpa, as mercadorias mais vendidas são carne, cerveja, leite, arroz e óleo, mas as mais pocuradas pelos clientes do aplicativo são as proteínas, “em especial por clientes das classes D e E e, nos últimos meses, aumentaram as vendas para as classes B e C.

Outro marketplace que conecta as pessoas a empresas que têm produtos com data de validade próxima do vencimento é o aplicativo b4waste. Ele tem o objetivo de converter o desperdício de alimentos em oportunidades e beneficiar estabelecimentos e consumidores, gerando valor.

Anunciando suas mercadorias no app, os varejistas encontram um destino para produtos que seriam descartados geram caixa e atraem novos clientes para seus pontos de venda. Com a atitude sustentável, também colabora com a melhoria da saúde do planeta. Para o consumidor, a vantagem está em comprar itens de marcas de prestígio, em perfeito estado, e com descontos de, no mínimo, 50%.

Artigos com prazo de validade curto também são conhecidos como Fifo (do inglês “First in, first out”, que, em português, pode ser traduzido como: “primeiro a entrar, primeiro a sair”), Fefo (“First expire, first out”, primeiro a vencer, primeiro a sair), ou Peps (sigla em português para: primeiro a entrar, primeiro a sair). As abreviações, emprestadas da área de gerenciamento de estoques, fazem referência à ordem de entrada e saída dos produtos dos depósitos e armazéns, para que não percam a validade: a regra é que os que chegaram antes sejam os primeiros a sair.

Ajuda para indústrias, empresas e restaurantes

Incentivar o consumo consciente é o propósito da Gooxxy, uma greentech (empresa de tecnologia voltada à recuperação e conservação ambiental) que “oferece soluções de recolocação de bens de consumo com vencimento aproximado, remanufaturados ou descontinuados, que seriam descartados pela indústria do atacado e do varejo”.

Uma das soluções é a Gofast, a recolocação de produtos, que não deixa que eles vençam nas prateleiras. A mercadoria perto da data de vencimento que ainda está na indústria é remanejada e redistribuída no mercado varejista para consumo. Isso acontece quando a indústria fabrica um produto com determinada expectativa de venda, e ela não acontece.

Golast é a recolocação no varejo de lotes de produtos descontinuados, que tiveram a fabricação suspensa. A mercadoria já produzida não precisa ficar parada no estoque da indústria e pode ir para um mercado que ainda se interessa em comercializá-la. O GoOut é a recolocação no varejo de produtos que ficaram fora do padrão no rigoroso processo de qualidade das indústrias, mas que estão aptos para o consumo. Eles podem ser reembalados e colocados, devidamente identificados, nas prateleiras. Há, ainda, alternativas para fábricas evitarem o desperdício de insumos e de embalagens, apoio para produtores rurais e outros serviços.

A foodtech Restin combate o desperdício de comida conectando os produtos Fifo das indústrias alimentícias com o food service (o setor de serviços de preparo de refeições), que pode usá-los como matéria-prima em sua produção. Tudo é feito online, por meio da plataforma digital, que permite a compra e venda das mercadorias com data de validade próxima do vencimento.

A empresa trabalha com três públicos: indústrias de alimentos, que vendem os produtos, restaurantes comerciais e cozinhas industriais, que compram as mercadorias com desconto. A entrega é feita ponto a ponto, ou seja, é a Restin que controla todo o processo de compra até a entrega dos produtos para o cliente.

Quem também atende restaurantes é a Food Finder, que consegue descontos entre 30% e 80% na comercialização de produtos fora do padrão comercial ou próximos ao vencimento. No mercado desde fevereiro de 2017, ela é direcionada exclusivamente a pessoas jurídicas: fornecedores de alimentos e empresas do setor de varejo e food service, como restaurantes cozinhas industriais, bares, lanchonetes, hotéis e similares.

Sem desperdício e fazendo o bem

Entre tantas iniciativas que visam o combate ao desperdício de alimentos, a Comida Invisível também vai atrás de produtos que seriam desprezados mas, ao contrário das demais, o destino é a doação. A startup social conecta quem tem alimentos para doar com quem precisa deles. “Fazemos o encaminhamento correto de alimentos que seriam descartados, mas estão próprios para consumo”, diz a empresária Daniela Leite, que fundou a empresa em 2017, depois de uma visita à Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).

“Comida Invisível nasceu de uma indignação minha, quando vi pilhas e pilhas de alimentos bons para consumo sendo descartados”, conta. Daniela explica que também atua na conscientização das empresas que têm alimentos próprios para consumo, mas que perderam o valor comercial. Podem ser alimentos in natura, ultraprocessados próximos da validade, sobras de bufês.

“Na plataforma temos restaurantes, hotéis, empresas de eventos, indústrias alimentícias, centros de distribuição. Conectamos por geolocalização essas empresas com ONGs que atuam no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Garantimos a segurança jurídico-sanitária na plataforma, orientando e certificando as ONGs”, diz a empresária.

A plataforma, apta a atender o Brasil inteiro, é gratuita para ONGs e entidades que precisam de doações, e as empresas que precisam dar destinação a seus produtos pagam uma mensalidade para usá-la. “Também temos cotas de patrocínio e realizamos projetos especiais com empresas, na área de destino correto dos alimentos e de educação”, fala Daniela.

Connecting Food é mais uma foodtech que tem as doações de alimentos como foco. “Apesar de não gerarem uma receita direta para as empresas, elas contribuem para a redução dos custos com o descarte de resíduos, são passíveis de captura de incentivos fiscais, além, claro, de trazer grandes resultados de impacto social e ambiental”, diz Alcione Pereira, CEO da empresa.

A Connecting Food faz a gestão inteligente da redistribuição de alimentos excedentes da cadeia de alimentos; eles são conectados às populações em situação de vulnerabilidade social. “Os alimentos são dos nossos clientes, grandes redes de varejo e indústrias. Atuamos nos processos das empresas para identificar esse potencial desperdício e dar a melhor destinação a esses alimentos”, explica Alcione.

Ela conta que, nas redes de varejo, os alimentos mais doados são frutas, legumes e verduras e, nas indústrias, a variedade de alimentos está relacionada a cada segmento de atuação. A empresa atende 112 cidades em 12 estados brasileiros, e a projeção é terminar 2022 em mais de 20 estados.

Fonte: R7

Cheiros da natureza aumentam o bem-estar do ser humano, diz estudo

Aromas específicos destes locais e a ausência de odores indesejados das áreas urbanas tornam, por exemplo, os indivíduos mais felizes.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Durrell de Conservação e Ecologia (DICE, na sigla em inglês), da Universidade de Kent, no Reino Unido, descobriu que os cheiros da natureza fazem as pessoas se sentirem relaxadas, alegres e saudáveis.

Os cientistas constataram que a interação com a natureza e os seus aromas, além de aumentar o bem-estar, estabelece uma forte ligação do indivíduo com as suas memórias pessoais. De forma exemplificada, um processo ecológico comum, como as folhas caídas no inverno, desencadeia boas lembranças no ser humano.

“A natureza é uma experiência multissensorial e nossa pesquisa demonstra o significado potencial do cheiro para o bem-estar”, disse a pesquisadora associada de pós-doutorado da DICE, Jessica Fisher.

O estudo levou os voluntários para alguns ambientes de uma floresta ao longo de quatro estações e demonstrou que o cheiro afetou diversos tipos de bem-estar, como o físico, que foi observado com mais frequência, e agiu diretamente nos quesitos de relaxamento, conforto e rejuvenescimento dos pacientes.

Combinado à característica física, a ausência dos cheiros de poluição e odores indesejados das áreas urbanas, por exemplo, melhorou a satisfação dos indivíduos e permitiu que eles relaxassem mais.

A pesquisa também descobriu que os cheiros traziam memórias relacionadas à infância dos participantes, pois diversos deles conectaram aromas específicos não à floresta em si, mas a um evento passado. Essas recordações provocaram reações emocionais e, da mesma forma, influenciaram o bem-estar dos voluntários.

Vale ressaltar que o bem-estar reduz os quadros de estresse e os níveis de cortisol – muitas vezes ligados a algumas doenças – do ser humano, portanto os dados são importantes e podem ser úteis para diversas profissões e áreas do conhecimento.

“O estudo fornece descobertas que podem informar o trabalho de profissionais, especialistas em saúde pública, formuladores de políticas e planejadores de paisagem que buscam melhorar os resultados de bem-estar por meio da natureza. Pequenas intervenções podem levar a benefícios para a saúde pública”, acrescenta a pesquisadora.

Fonte: R7

O primeiro ano do novo governo Talibã e o sofrimento de meninas e mulheres afegãs

Com o retorno do controle às mãos do grupo radical, população feminina enfrenta restrições de acesso a educação e postos de trabalho, além do medo da ‘repressão moral’.

Sob o controle de um governo que, mergulhado em seu radicalismo, semeia o ódio à figura feminina, as mulheres do Afeganistão sofrem com o retorno do Talibã  ao poder há um ano.

Com ainda menos acesso à educação, expulsas de cargos públicos e impedidas de exercerem suas profissões, elas se encontram desamparadas desde a queda da capital, Cabul, em 15 de agosto de 2021.

Naqueles dias, as imagens de milhares de afegãos desesperados no aeroporto da capital, na tentativa de deixar o país, chocaram o mundo. Diante do terror de um novo governo do Talibã, pessoas morreram ao tentar se agarrar nos aviões americanos que decolavam do aeroporto de Cabul.

Todo o desespero, entretanto, se justificou. Ao contrário do que os governantes haviam prometido, um ano após a retomad, as mulheres voltaram a ser invisíveis. Elas estão proibidas de percorrer mais de 70 km sem estar acompanhadas por um homem da família, são orientadas a ficar em casa e a usar a burca para que seu corpo e rosto fiquem cobertos.

Além disso, sem a ajuda dos EUA, o país mergulhou em uma crise socioeconômica ainda mais grave, e a fome severa é muito presente na região.

A Anistia Internacional realizou uma pesquisa sobre a situação de mulheres e meninas afegãs sob o domínio do Talibã de setembro de 2021 a junho de 2022. A pesquisa foi publicada no mês passado e revela que a situação do país é tão grave que famílias locais vendem suas filhas ao Talibã por não terem condições de sustentá-las.

Khorsheed, uma mulher de 35 anos de uma província no centro do Afeganistão, disse à Anistia Internacional que a crise econômica a fez casar sua filha de 13 anos com um vizinho de 30 anos, em setembro de 2021, por cerca de 670 dólares (R$ 3.658). Ela disse que se sentiu aliviada após a venda, já que sua filha não vai mais sentir fome.

O documento ainda revela que, ”de acordo com quatro indivíduos que trabalhavam em centros de detenção administrados pelo Talibã, o grupo prende mulheres e meninas por violarem suas políticas discriminatórias, como as regras contra aparecer em público sem um homem da família”.

“As afegãs detidas arbitrariamente por suposta ’corrupção moral’ ou por fugirem de abusos
não têm acesso a aconselhamento jurídico, são submetidas a torturas, bem como a condições desumanas de detenção”, conclui.

Saída dos EUA e esquecimento

A professora da USP (Universidade de São Paulo) Francirosy Campos Barbosa, pós-doutoranda em teologia islâmica pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que os americanos fizeram uma retirada “extremamente apressada” do país.

“Deixaram o Afeganistão para trás totalmente empobrecido. Além de todos os retrocessos do Talibã, não podemos deixar de olhar para um ‘governo estabilizador’ que permaneceu por 20 anos e que pouco fez pelo crescimento econômico, social e político da região.” De acordo com a professora, pelo Islã, as mulheres têm direito ao trabalho e ao estudo desde o século 7º, mas o Talibã faz uma releitura dessas questões.

Ela explica que em meio ao controle americano não houve um incentivo maciço à alfabetização das mulheres e à eliminação da pobreza. Quando os EUA deixaram o país, apenas 24% das mulheres eram alfabetizadas e só 21% tinham acesso ao ensino superior. Com a volta do Talibã, a realidade se tornou ainda mais trágica.

”Em alguns casos, as meninas conseguem com facilidade ir à escola até cerca de seus 12 ou 13 anos, período em que normalmente ocorre a primeira menstruação e em que, nos países islâmicos, elas começam a cobrir a cabeça com o hijab. Nessa faixa etária, a evasão escolar
ocorre devido à repressão do Talibã, já que não existe a garantia de que não serão punidas durante o caminho à escola”, diz.

No ensino superior, o Talibã exigiu que homens e mulheres estudem em salas de aula diferentes. Elas não podem frequentar as aulas no período noturno e surgiram denúncias de que foram afastadas de muitos cursos. Além disso, as instituições de ensino sofrem com a falta de docentes, já que muitos saíram do Afeganistão após a instauração do novo governo.

A especialista Francisrosy Barbosa diz que a ajuda ocidental ocorreu com o recebimento dos refugiados afegãos, mas não houve um auxílio direto ao país direcionado ao combate à fome e à garantia dos direitos humanos.

Para a professora da USP, o discurso americano da “guerra ao terror”, tão popular no começo dos anos 2000, se enfraqueceu. Agora, o Afeganistão se encontra “por conta própria”. “Não existe ajuda para suprimentos médicos e alimentares, o país passa por uma grave repressão econômica e a resistência feminina está sem apoio.”

“Muito desse retrocesso que vemos hoje no Afeganistão poderia ter sido evitado se os EUA tivessem saído de forma estratégica, no sentido de deixar questões consolidadas dentro do país”, afirma.

“Além de privar as mulheres dos direitos humanos, o Talibã também as priva dos direitos islâmicos, a partir do momento que as proíbe de estudar e trabalhar.”

Fonte: R7