SOFRIMENTO

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo
que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Rm 5:3-4).

  1. Os propósitos de Deus no sofrimento do homem

Em Eclesiastes 3.1 a Bíblia afirma que “(…)há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Não há acasos; Deus tem propósito para cada acontecimento. Sendo assim, nós não podemos imaginar que Deus não tem propósitos para o sofrimento. Nem mesmo o sofrimento humano acontece por acaso.

  1. PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS ÍMPIOS

Manifestar o caráter santo de Deus Salmo 107.17 – Esse texto afirma que os ímpios serão afligidos por causa dos seus pecados. As dores e as angústias sobrevêm aos incrédulos como conseqüência das suas transgressões. As pessoas que vivem com o coração longe de Deus, se afundam nas suas iniquidades e quando sofrem, perguntam-se: “Por que eu tenho sofrido tanto?” Deus, por causa de Sua própria santidade, além de abominar o pecado não pode ficar impassível diante de práticas pecaminosas. Assim, Ele age permitindo o sofrimento àqueles que vivem na prática do pecado.

Promover a prática da justiça Is 26.9 – O sofrimento que Deus permite aos ímpios tem por objetivo levá-los a aprender a viver uma vida reta. E uma das maneiras de se levar uma pessoa ímpia a viver uma vida correta é aplicando-lhe uma penalidade. A manifestação da justiça de Deus tem um efeito saudável dentro da sociedade, pois as pessoas começam a andar em retidão pelo medo da “punição”.

  1. PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS CRISTÃOS

Levar o cristão de volta ao caminho correto Pv 3.11-12. A dor é o “megafone” que Deus usa para fazer o “surdo” ouvir o que Ele tem a dizer. Quando enfrentamos dores e sofrimentos, devemos pedir a Deus para nos mostrar o caminho correto a seguir, para ajudar-nos em nossa conduta, fazendo-nos voltar para o caminho da retidão. Além do mais, é necessário compreender que esse tipo de ação permissiva de Deus (dor e sofrimento) não é sinal de que Ele nos abandonou. Pelo contrário, é sinal de que Ele nos ama, desejando nos levar a andar no melhor caminho: o caminho da vida para desenvolver a capacidade de sentir compaixão do próximo.

II Co 1.4-5 nos ensina algumas verdades acerca do sofrimento:

É Deus quem nos conforta no sofrimento. No mundo, nós cristãos, sempre vamos passar por tribulações (Jo 16.33). Todavia, com Deus esse sofrimento é aliviado. Por essa razão, no verso 3 Deus é chamado de “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação”. Deus está sempre disposto e é totalmente poderoso para consolar e confortar em nossos momentos de angústia e dor.

É Deus quem nos capacita para confortar no sofrimento do nosso próximo. O sofrimento é uma excelente escola, onde aprendemos a consolar e confortar as pessoas da mesma maneira como Deus faz conosco. Nós, seres humanos, somos diferentes de Deus: Enquanto Ele conhece todas as coisas sem nunca as ter experimentado, nós só conseguimos aprender a fazer algo através da experiência. Nunca aprenderemos a confortar pessoas a menos que tenhamos passado pelo sofrimento e tenhamos recebido o conforto divino. Se o próprio Jesus teve de aprender a obedecer pelas coisas que sofreu, tendo de experimentar o sofrimento e a tentação para poder socorrer os que são tentados (Hb 2.8), quanto mais nós que temos de aprender na prática, sobre a consolação divina para podermos consolar os que estão sofrendo. Deus enviou Cristo para que a nossa consolação transborde por meio dEle – Paulo também aprendeu a glorificar o merecedor de todas as graças que recebemos de Deus. Como recebemos a capacidade de consolar, temos de aprender a glorificar a Cristo, porque toda a nossa capacidade de confortar é feita por meio de Cristo e do Espírito Santo.

Confirmar o valor da fé 1 Pd 1.6-7 – O sofrimento é o meio que Deus usa para fazer o cristão crescer na sua fé. Pedro diz que o sofrimento é comparado à ação do fogo – A ação do fogo é múltipla. Ele destrói, consome, aniquila; mas a Escritura cita o fogo aqui como um elemento purificador, que torna o objeto aprovado, aperfeiçoado, confirmado. O processo de confirmação de nossa fé é comparado ao processo da depuração do ouro pelo fogo. Pedro diz que a confirmação da fé vem por uma gama de sofrimentos – O fogo é sinônimo de sofrimento causado pelas provações: passamos por ele e por meio dele somos confirmados em nossa fé. Os destinatários da carta de Pedro estavam sendo provados com aflições. Não haveriam de sofrer por muito tempo, mas estavam sofrendo para que o valor da sua fé fosse confirmado. O sofrimento tem diversas manifestações: Deus permite várias formas para causar crescimento no meio do seu povo. Por essa razão, Pedro diz que os cristãos seriam contristados (entristecidos) “por várias provações”. Esse teste de fé está longe de ser uma experiência agradável. Diz ainda que o sofrimento é para a confirmação da fé e vem quando necessário. Nem todos os cristãos que passaram pelo mundo experimentaram os sofrimentos dos quais Pedro falava. Ele disse: “Nisso exultai, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (…)”. A conclusão que se pode tirar dessa passagem é que nem todos sofrem, porque não é necessário que haja crescimento ou confirmação da fé somente por meio do sofrimento. O sofrimento não é algo inevitável ou necessário. Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé não é longo – mesmo que em certas ocasiões possa vir sobre os cristãos, mas não permanece para sempre. Pedro diz que os cristãos são contristados “por breve tempo”. Então, o sofrimento é de duração limitada. Aliás, não podemos nos esquecer de que a duração curta da provação está em contraste com a alegria de que vamos desfrutar amanhã. Mesmo que o sofrimento dure a noite inteira, a alegria vem pela manhã.

Aperfeiçoar o caráter cristão Rm 5.3-4 – Nesse texto, Paulo afirma que o sofrimento é um meio que Deus usa para aperfeiçoar o caráter dos cristãos. Mas, diferentemente da versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira, há outras versões da Bíblia que traduzem o texto de uma forma diferente. A palavra “tribulações” é traduzida como “sofrimentos”, “perseverança” é traduzida como “paciência” e “experiência” é traduzida como “caráter provado”. Assim: Paulo diz que os sofrimentos produzem perseverança – Na língua grega, a palavra “perseverança” pode também ser traduzida por paciência, persistência, constância. Essas são algumas características que se apresentam no homem maduro, que se mantêm leal à sua fé e aos seus propósitos mesmo quando está debaixo das maiores tribulações ou sofrimentos. Em geral, não crescemos quando estamos em plena calmaria de problemas. Em todos os ramos, o desenvolvimento aparece em hora de crise ou sofrimento. Paulo diz que a perseverança produz experiência – essa é parte da reação em cadeia. Assim como os sofrimentos produzem a perseverança (ou paciência, ou constância, ou persistência), esta produz experiência. Na língua grega, a palavra “experiência” pode ser traduzida por “caráter provado”. A idéia é a de alguém que foi testado e saiu vitorioso no teste, tendo desenvolvido um caráter amadurecido pelos sofrimentos. Paulo diz que a experiência produz esperança – o sofrimento do cristão o conduz à perseverança, a firmeza, a constância e a paciência porque eles são conectados à esperança. Há alguma coisa no final que os faz levantar os olhos e crer na mudança dos acontecimentos. Para o cristão, o sofrimento é o ponto em que o poder da esperança fica cada vez mais claro, ligando o nosso presente ao futuro de vitória, porque para o cristão “os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória a vir ser revelada em nós” (Rm 8.18).

Conclusão

Quando você, cristão, estiver sofrendo pelas mais variadas razões, lembre-se de que você não é um desafortunado, mas um amado de Deus. Os sofrimentos pelos quais você tem passado são maneiras de Deus fazer bem à sua vida. Ele tem levado você de volta ao caminho dEle, que é o caminho da vida, endireitando as suas veredas tortuosas. Se Deus não lhe houvesse mostrado o seu amor disciplinador, onde você estaria ainda? Ele tem ensinado você a ter compaixão dos outros que sofrem. Ele tem confirmado o valor da sua fé, por meios das tribulações pelas quais você passa. Ele tem aperfeiçoado o seu caráter.

Por Valdely Cardoso Brito

DOUTRINA BÍBLICA DO DÍZIMO

O dízimo será santo ao SENHOR (Lv 27:32)

Dízimo é a palavra que envolve dois elementos o de sua natureza matemática, que está em seu nome latino décima, e que significa “a décima parte”. Que tem objetivo de sustentar a Obra do SENHOR, e Deus ensina seus vários aspectos, a saber:

ANTES DE MOISÉS – O dízimo aparece na Bíblia, pela primeira vez em Gênesis 14:18-20. Abraão é o primeiro dizimista registrado na história. O seu dízimo tem um caráter religioso, embora fosse tirado de despojos de guerra, e foi entregue ao Sacerdote Melquisedeque para o sustento do culto ao Senhor. Jacó fez uma promessa a Deus que, se fosse bem-sucedido em sua viagem, ele seria dizimista (Gn 28:18-22).

Antes de Moisés, o dízimo era um percentual de 10%, que os hebreus davam para o sustento do culto. O texto bíblico sugere que, no tempo de Abraão e de Jacó, o dízimo era dado voluntariamente e com amor.

DEPOIS DE MOISÉS – Moisés incorporou o dízimo à lei e o tornou um ato legal e obrigatório, (Lv 27:30-32, Nm 18:20-28; Dt 14:22-29), e quem não o pagava, tornava-se sonegador, ladrão (Ml 3:8-10). Assim, antes de Moisés, o dízimo era um ato voluntário e dado como prova de amor, de gratidão e de fidelidade. Depois de Moisés, o dízimo passou a ser um ato obrigatório, tornando seus devedores sonegadores e ladrões.

NO TEMPO DE CRISTO

Quem diz que o dízimo não é uma doutrina cristã, mas uma prática exclusivamente judaica, não sabe o que está falando. Jesus reconheceu a necessidade do dízimo para o sustento do culto e recomendou a sua prática (Mt 23:23).

A questão para o cristão, não é saber se o dízimo é ou não uma doutrina cristã, mas como ele deve ser praticado: deve ser dado como um ato voluntário, e de amor, como fez Abraão, e Jacó, ou pago como um ato legal e obrigatório como instituiu Moisés? A resposta está em Hb 7 e 2 Co 9:7.

Com efeito, o dízimo cristão é um ato voluntário e dado como uma prova de amor, de gratidão, de fé, de fidelidade e de interesse pela causa de Cristo. Isso porque o Cristianismo se fundamenta na ordem sacerdotal de Melquisedeque, a quem Abraão deu o dízimo, e não na ordem sacerdotal de Levi, a quem Moisés pagou o dízimo (Hb 7, 2 Co 9:7).

Ninguém é obrigado a dar o dízimo, mas se alguém assumir o compromisso (fizer um voto), moralmente está obrigado a cumpri-lo para com Deus. No livro de Eclesiastes (5:1-6), está dito que: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tarde em cumpri-lo, porque ele não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes, do que votes e não pagues”.

Não negligencie o teu dever. “O dízimo será santo ao Senhor” (Lv 27:32). Faça da entrega de seu dízimo, um ato de culto aceitável e agradável ao Senhor (Fp 4:16-17).

Por Valdely Cardoso Brito

A VIDA DE CRISTO EM NÓS

“Eu sou a videira e vós as varas. O que permanece em mim e eu nele,
esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer”
(Jo 15.5).

  1. O Testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo;
  2. O que é a vida de Cristo em nós;
  3. Consequências práticas e aplicação particular.
  1. O Testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo.

O Senhor Jesus disse: “Eu sou a videira e vós as varas. O que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5). “Nada”, ou seja, nenhum ato meritório de vida eterna.

Semelhantemente, diz Paulo (Rm 6.5): “nos tornamos uma mesma planta com Cristo”, que é como que a raiz santa, e “se é santa a raiz, também o são os ramos” (11.16). Noutra parte, expressa o mesmo valendo-se de outra figura: “vós sois o corpo de Cristo e membros unidos a membro” (1 Co 12.27); e o repete em diversas outras passagens.

Na Epístola aos Romanos (6.4), Paulo afirma que pelo batismo “fomos sepultados com Ele a fim de morrer para o pecado”; morremos e ressuscitamos com Ele. Por isso, também diz Paulo: “Para mim, o viver é Cristo” (Gl 3.27).

São Tomás de Aquino afirmava: “para os caçadores, sua vida é a caça; para os militares, a milícia ou os exercícios militares; para os estudiosos, o estudo; para os cristãos e, sobretudo, para os santos, o viver é Cristo, pois Cristo quer viver neles; e porque os santos vivem da fé, da confiança e do amor de Cristo”. E o próprio Cristo diz: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26). Ou seja: pelos dons de sabedoria, inteligência, ciência, conselho, piedade, fortaleza e do temor, vos sugerirá tudo que eu vos disse, de maneira que as palavras do Evangelho venham a ser para vós, “palavras de vida eterna” porque “são espírito e vida”. O testemunho de Cristo e do apóstolo Paulo é manifesto, sobretudo na Epístola aos Gálatas: “E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim” (2.20).

  1. O que é a vida de Cristo em nós. Cristo, como cabeça da Igreja, cumpriu todas as missões que o Pai Lhe atribuiu de maneira suficiente e eficaz, para que possamos receber pela graça de Deus a salvação. Cristo intercede, no céu, por nós e é causa instrumental de cada uma das graças que recebemos. Da nossa parte, para que a vida de Cristo esteja em nós, é necessário:

Guardar esta verdade na memória, e repetir frequentemente para si mesmo: Cristo quer viver em mim, orar, amar, agir em mim. Se assim fizermos, aniquilando a carne, sepultaremos o velho homem, com seus desejos desordenados, baixos, mesquinhos, para abrigarmos em nossos corações os mesmos desejos de Cristo. É absolutamente necessário despojar-se do velho homem. Então, de fé em fé, de glória em glória, paulatinamente compreenderemos as palavras de João Batista: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Em sentido moral, é preciso pensar, desejar, agir com Cristo e em Cristo.  Assim, pouco a pouco, o Espírito de Cristo se substitui ao nosso próprio. Ora, nosso espírito próprio tem um determinado modo de pensar, de sentir, de julgar, de amar, de querer e de sofrer; é uma mentalidade especial, bastante limitada e superficial, que depende materialmente de nosso temperamento físico, da nossa herança, do influxo das coisas exteriores, das idéias da nossa geração e da nossa cultura. Este espírito próprio tem de ser substituído pelo espírito de Cristo, isto é, por seu modo de pensar, sentir, amar e agir; E, pela fé, fazendo-se servos de Deus em sentido pleno, Cristo verdadeiramente viverá em nós, daí poderemos dizer como Paulo: “para mim, o viver é Cristo”.E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2.20). Se verdadeiramente seguirmos este caminho, nossa alma abandona a si mesma para viver em Cristo, abandonando o velho homem, se “revestirmo-nos do novo homem” como diz Paulo (Gl 3.27; Ef 4.24; Rm 13.14).

  1. Consequências práticas e aplicação particular.

Aplicações: temos com respeito à oração, a humildade, à prática do amor fraterno, ao crescimento espiritual pela fé e estudo da Palavra, chegarmos ao aumento da esperança no amor de Deus com aceitação da cruz para continuar seguindo a Jesus até a eternidade.

Quanto à oração: A alma, já não ora como antes, limitada aos interesses próprios, mas aos propósitos de Cristo: “tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei” (Jo 14.13); “Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis, para que o vosso gozo seja completo” (Jo 16.24). Então, a alma que segue esta via, em nome de Cristo, compreende as riquezas da salvação.

Quanto à humildade: A alma começa a aborrecer a vida demasiado pessoal, começa a desprezar a si mesma, ao comparar-se com Cristo. Compreende melhor que todo pensamento excessivamente pessoal é limitado, estreito, inferior, oposto à santa liberdade dos filhos de Deus. Renuncia a eles, para viver da fé, das palavras de Cristo, que “são espírito e vida”. Por isso, começa a aborrecer o amor próprio, que impede a vida de Cristo em nós.

Com respeito ao amor fraterno: A alma cristã passa a considerar as demais pessoas como Cristo as considerava, por isso, encontra em quase todos algo de belo e digno, assim como em qualquer florzinha silvestre encontramos alguma beleza. Ama de modo semelhante ao que Cristo nos amou.

Com respeito à Fé: A fé desta alma é cada vez mais qualificada pelos dons e torna-se mais penetrante e amorosa; vê as coisas mais diversas com os olhos de Cristo. E em tudo se pergunta: Que pensa Jesus sobre isso? Assim, compreende muito mais o valor da Comunhão. Assim, compreende melhor o sentido espiritual dos acontecimentos quotidianos.

Com respeito à Confiança: A alma aumenta sua confiança, pois Cristo lhe comunica a sua própria. Em sua memória, guarda as palavras do Salvador: “Eu venci o mundo”. Que é como se dissesse: Venci o pecado, o demônio, a morte, tende confiança. Esta alma pode esperar mais em Deus. E com Paulo dirá: “Quando estou fraco, então sou forte” (2 Co 12.10).

Com respeito ao Amor de Deus: Aumenta o amor de Deus, porque é como o amor de Cristo transfundido na alma de quem dele vive. É um amor que começa por causar na alma certo enlevo espiritual pelo qual, a alma que ama a Deus sai fora de si mesma, como que transportada a Deus. Enquanto o homem natural pensa quase sempre em si mesmo e em seus próprios interesses, a alma espiritual pensa quase sempre em Deus; ama a Deus verdadeiramente e, no mesmo Deus, ama-se a si mesma e ao próximo, para mais glorificar a Deus estando cheia de paz e de alegria. É então que a alma confia inteiramente em Deus.

Com respeito à aceitação da cruz: Por fim, a alma chega à uma generosa aceitação da cruz permitida por Deus para que trabalhe mais eficazmente pela salvação de outras almas. Com esse espírito, muitas almas podem orar assim: Senhor, nesta hora de crise mundial, em que se difunde o espírito da soberba, santifica-me mais e aclara a minha inteligência no conhecimento profundo do mistério do vosso santo aniquilamento; dá-me o desejo de participar das vossas humilhações e dores, e fazei que encontre paz, e a mesma alegria, conforme o vosso beneplácito, para erguer o meu espírito até o céu onde Te encontras. Assim estaremos vivendo o nosso duplo ministério de servos e sacerdotes, para podermos nos conduzir de neófito à verdade e à vida cristã.

Por Valdely Cardoso Brito

VOCAÇÃO À SANTIDADE

“Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19:2)

 Desde as páginas das Escrituras até nossos dias encontramos o imperativo divino: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19:2). Esse imperativo, apesar de ser um mandamento, reveste-se de um significado todo especial para a nossa existência. É um convite à verdadeira felicidade, e, por isto mesmo, ninguém resiste: “Tu me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir; agarraste-me e me dominaste” (Jr 20:7).

A ordem divina é dada de tal maneira que a pessoa não tem alternativa. É o que garante o próprio Deus: “Invoco hoje por testemunhas contra vós os céus e a terra, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para que vivas com tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo-lhe à voz e apegando-te a ele. Pois isto significa vida para ti e tua permanência estável sobre a terra que o Senhor jurou dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó” (Dt 30:19-20). É, portanto, a grande vocação à santidade. É o Pai nos escolhendo em Cristo, já antes da criação do mundo, “para sermos em amor santos e imaculados”, ou seja, “predestinando-nos à adoção de filhos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito de sua vontade” (Ef 1:4-5).

Tal desejo do Pai ecoa na pregação de Jesus. Ao apresentar aos discípulos a nova proposta de vida que viera trazer, Jesus com a mesma força e o mesmo entusiasmo repete o imperativo divino que Moisés, séculos antes, havia comunicado à comunidade de Israel: “Sede perfeitos, portanto, como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5:48).

Nesta perspectiva, os primeiros cristãos continuam a repetir o convite à santidade. Paulo, por exemplo, escrevendo aos cristãos de Roma, lembra-lhes que eles são “chamados a ser santos” (Rm 1:7). Às mulheres de Corinto recorda-lhes que são convocadas pelo Senhor para serem santas “em corpo e em espírito” (1 Co 7:34), isto é, na totalidade da própria existência. Aos efésios pede que não esqueçam que são “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2:19). O autor da Carta aos Hebreus afirma que eles são santos, isto é, participantes da vocação que os destina à herança do céu (Hb 3:1). Na Primeira Carta de Pedro, o imperativo se faz muito mais categórico: “… a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também santos em todas as ações, pois está escrito: Sede santos porque eu sou santo” (1Pd 1:15-16). O mesmo autor, mais adiante, dirá que toda a comunidade cristã participa de um “sacerdócio santo”, forma uma “nação santa” (1 Pd 2:5,9).

Esse apelo à santidade perpassa toda a história do cristianismo e chega até nossos dias. O verdadeiro significado da santidade: Ser santo é ser capaz de unir liberdade e responsabilidade para atuar diretamente nos destinos da história, promovendo a influência na transformação do mundo e no convívio social. Santidade, portanto, é acolher os mandamentos de Deus, as novidades do Espírito, em total obediência a Deus.

Somente Deus é Santo. De fato, “ninguém é santo como o Senhor” (1 Sm 2:2). Isso quer dizer, em primeiro lugar, que Deus é completamente diferente do ser humano: “… porque eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti; …” (Os 11:9). Deus tem caminhos, desígnios e projetos para a plena salvação, e a verdadeira libertação. Deus realiza gratuitamente a redenção da humanidade.  Não tendo prazer na “morte de ninguém que morre” (Ez 18:32), Ele deseja apenas que o pecador “mude de conduta e viva” (Ez 18:23). Deus é diferente porque Ele é graça e perdão.“Oh! vós todos que tendes sede, vinde às águas! Mesmo que não tenhais dinheiro, vinde! Comprai cereais e comei! Mesmo sem dinheiro ou pagamento, vinde tomar vinho e leite!” (Is 55:1). O próprio Deus nos alerta: “Pois meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos. Porque assim como o céu é mais alto do que a terra, os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos” (Is 55:8-9). Ele nos convida a não nos confundir com Ele. Mas, a nos assemelharmos ao Seu jeito de ser e de agir.

A santidade, portanto, é, em primeiro lugar: A vivência de um estilo de vida que se afasta da proposta diabólica de querer ser igual a Deus. Esse querer ser igual a Deus é, no fundo, a auto-suficiência, a arrogância, ou seja, a pretensão de guiar-se por si mesmo, sem nenhuma referência ao mandamento divino. Deus muda a situação de cada ser humano, e da humanidade inteira do universo. Exatamente porque está acima de todos e de tudo, porque é Santo, que se inclina para ver a humanidade e caminhar com ela: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu clamor por causa dos seus opressores; pois eu conheço suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios…” (Ex 3:7-8).

Encontramo-nos assim diante de um grande paradoxo. Deus é ao mesmo tempo distante e próximo, tremendo e fascinante, espanta e atrai a pessoa humana: “A quem me haveis de comparar? A quem me assemelharei? Pergunta o Santo” (Is 40:25). Encontra-se próximo, fascina e atrai porque escuta o pobre e atende a sua súplica: “Não temas, vermezinho de Jacó, e tu, bichinho de Israel. Eu mesmo te ajudarei; o teu redentor é o Santo de Israel” (Is 41:14).

Deus veio ao encontro de toda a humanidade, a Bíblia nos ajuda a perceber que Ele, por ser Santo, deseja que participemos de sua vida, de seu próprio Ser divino. Por isso, Ele quer ser chamado de “O Santo de Israel” (Is 1:4). Ele, que é totalmente distinto do ser humano, quer que esse último viva no tempo e no espaço como Ele vive na eternidade. Trata-se, portanto, da dimensão ética que brota da fé no Deus Santo.

A comunidade cristã primitiva recebe de Jesus o atributo da santidade, antes, exclusividade de Deus. Ele é o “santo servo Jesus” (At 4:30). Até os próprios demônios reconhecem isso: “Sei quem tu és: o Santo de Deus” (Mc 1:24). Também os apóstolos fazem essa mesma confissão de fé: “… nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6:69). Ele é “o Santo, O Verdadeiro” (Ap 3:7). O que antes era reservado somente a Deus, passa a ser atribuído a Jesus, reconhecido pela comunidade como sendo “o Filho de Deus” (Mc 16:39) ou “o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16). A santidade de Jesus está intimamente relacionada com sua condição de filho: O Verbo Eterno de Deus que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Assim, sua glória é “Ele como Unigênito do Pai ” (Jo 1:14). Para Jesus, Deus é o “Pai santo” (Jo 17:11) que sempre ouve o Filho, e guarda os servos que não são mais do mundo, para que sejam um, assim como Jesus é com o Pai (Jo 17:12-17). O Novo Testamento, Jesus é Santo exatamente porque, de maneira própria, única e exclusiva, é o Filho do Pai Eterno: “… Por isto “o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35). Sendo o Filho, Jesus é aquele que é enviado para plenificar e realizar o desejo divino de vir ao encontro, e comunicar-se com a humanidade. Jesus o faz oferecendo sua própria vida, doando-a em sacrifício de salvação para reconciliação da humanidade com o Pai (2 Co 17-21). Podemos então dizer que a santidade de Jesus “manifesta-se na santidade de sua redenção: Ele santifica a si mesmo (acolhe em Si a santidade do Pai) para que todos os cristãos, por meio dele, se tornem participantes da santidade e da glória de Deus”.

A santidade como prerrogativa do Trino Deus é atribuída de modo particular também às pessoas da comunidade cristã: Igreja. Tal santidade da Igreja tem dois aspectos básicos:

1) Refere-se antes de tudo à união desta e de seus membros ao Pai, pela ação de Jesus Cristo, na força dinamizadora do Espírito Santo.

2) Diz respeito também à qualidade moral, isto é, ao comportamento, e atitudes da Igreja. Somos santos porque somos propriedade do Senhor Deus: “Mas vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade…” (1 Pd 2:9).

Essa consciência que os cristãos tinham de pertencer a Deus tem suas raízes no Antigo Testamento: “Agora, se ouvirdes minha voz e guardardes minha aliança, sereis para mim uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha” (Êx 19:5). Ser propriedade de Deus é ser escolhido, privilegiado e amado. Somos fruto de livre escolha do Pai, o qual em sua bondade quis que existíssemos. Somos um presente da Trindade à Trindade! Explicando: Cada Pessoa divina quis presentear à outra com o melhor presente. Assim, decidem criar a pessoa humana, imagem e semelhança do Pai do Filho do Espírito Santo, por aquele infinito amor que cada Pessoa da Trindade tem uma à outra. O Novo Testamento reforça ainda mais tal relação, a partir da figura do grande consagrado do Pai que é Jesus. Lucas, por exemplo, fez questão de afirmar que Jesus é “o Santo” (Lc 1:35), e por isso a Ele se aplica ao que a velha aliança dizia do primogênito: “Todo macho que abre o útero será consagrado ao Senhor” (Lc 2:23). Nesta perspectiva, cristãos são pessoas consagradas ao Senhor (cf. 1 Pd 2:9-10).

A consagração é, segundo a Bíblia, uma investidura para o serviço. Ela é uma separação para a realização de um ministério, de um propósito, ou de uma função em benefício da comunidade cristã. Deus separa para si algumas pessoas, a fim de enviá-las em missão. O ato de separar é sempre acompanhado da investidura. As pessoas que foram separadas recebem de quem as separa e envia, os poderes para a realização plena da missão a elas confiada. A investidura acontece mediante gestos simbólicos, carregados de significado. Entre eles destacamos: a unção com óleo (1 Sm 16:12), a imposição das mãos (At 6:6) e o soprar sobre as pessoas (Jo 20:22). Do ponto de vista vocacional, a consagração, como descrita acima, é uma prerrogativa de todo o povo de Deus. Nele, todos “são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo, para que por todas as obras do cristão ofereçam sacrifícios espirituais e anunciem os poderes d’Aquele que das trevas os chamou à sua admirável luz” (Lc. 10).

Podemos assim concluir que a vocação à santidade é um chamado para viver em plenitude a vida cristã; um chamado a ser pessoa humana verdadeira, sem medo e sem reservas. A santidade da parte da pessoa chamada é a disponibilidade para realizar a vontade de Deus. Por exemplo: Isaías e Maria. O profeta, diante do apelo de Javé pedindo alguém para ser enviado, responde: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8). A Virgem Maria, após receber o mensageiro divino comunicando-lhe o desejo do Pai, responde com prontidão: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1:38). Tendo presente essas premissas, podemos afirmar que a vocação à santidade é o chamado para a Obra. Deus nos escolhe, nos elege, nos chama para proclamar as suas “excelências” e “maravilhas” (cf.1 Pd 2:9).

A comunidade cristã primitiva entendeu bem essa verdade. Por isso os apóstolos, desde o início, mesmo enfrentando perseguições e calúnias, “não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa Nova do Cristo Jesus” (At 5:42). Eles, que eram “os santos” (At 26:10), tinham a consciência de terem sido escolhidos para proclamar o Evangelho a toda criatura (cf. Mc 16:15). Assim, “iam de lugar em lugar, anunciando a palavra da Boa Nova” (At 8:4). Paulo, que se considerava “o menor de todos os santos”, percebe que sua santidade se concretiza no seu chamado para evangelizar: Concedendo-lhe a “graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo” (Ef 3:8). A vocação para ser santo é, segundo ele, convocação para o anúncio da Boa Notícia. Como a busca da santidade é um imperativo aos cristãos, “chamados a ser santos” (1 Co 1:2). “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Co 9:16).

A santidade é antes de tudo, ser escolhido por Deus para a nobre missão de comunicar à humanidade o projeto salvífico que envolve as três Pessoas Divinas. Esse chamado à santidade, ou convocação para a Obra, é, no dizer do autor da Primeira Carta de Pedro, um chamamento para oferecer “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pd 2:5). Por meio dEle, os cristãos devem caminhar na terra como cidadãos do céu, com o coração enraizado em Deus, por meio da oração. Tendo presente esse aspecto, podemos afirmar que a vocação à santidade é chamado divino para transformar o mundo. A atitude de oferecer “sacrifícios espirituais” lembra o ensinamento de Paulo, o qual pede aos romanos que ofereçam seus corpos “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1). Portanto, a resposta à vocação acontece no dia-a-dia da vida das pessoas, no âmbito do desenrolar dos relacionamentos. É preciso, pois, que a santidade seja vivida na busca de comunhão entre as pessoas. Responder ao chamado divino à santidade é participar da construção do Reino de Deus, num mundo cheio de injustiça e de egoísmo. O cristão santificado não é aquele que se afasta do próximo, ao contrário, ele vai em busca dos que ainda não conhecem ao Senhor Jesus Cristo. O santo vai como pacificador ao encontro dos excluídos, para solidarizar-se e para relacionar-se. O próprio Jesus pede ao Pai que não tire os discípulos do mundo, mas que os guarde do Maligno (Jo 17:15). O não se conformar com a mentalidade do mundo, de que fala Paulo (Rm 12:2), não é fugir das pessoas, mas sim afastar-se da cobiça, da ganância, do amor ao dinheiro, que é “a raiz de todos os males” (1 Tm 6:10).

Seguindo esse dinamismo, é possível dizer que a vocação à santidade é o chamado para construirmos novas relações, baseadas na verdade, na justiça, no respeito mútuo, e no amor. É oferecer “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus” (1 Pd 2:5). De fato, “se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez uma realidade nova” (2 Co 5:17). O ser “nova criatura” (Gl 6:15) é criação da Trindade: É o Pai, pelo Filho, na força transformadora do Espírito, que faz “novas todas as coisas” (Ap 21:5). Todavia, é sempre a pessoa humana que deve acolher essa ação trinitária e deixar-se transformar (Lc 13:1-5). As pessoas buscam hoje o testemunho, ainda que silencioso, dos cristãos. Querem o Evangelho na prática, e não apenas proclamado solenemente nos púlpitos dos templos cristãos.

A santidade leva necessariamente, o ser humano a ter um comportamento ético e moral, de acordo com sua condição de pessoa que foi consagrada pela unção do Espírito Santo. Não se concebe cristãos santos cujas atitudes negam ser propriedade do Senhor da Vida. Seria uma contradição! O testemunho de santidade, do cristão que faz a vontade do Pai, é indispensável. Somente uma pessoa que se move no ritmo de Deus pode suscitar nas outras o desejo de responder ao chamado divino. O vocacionado, que vive na plenitude da vida cristã, não precisa de muitas palavras para despertar nos outros a consciência e a vontade de seguir a Jesus Cristo porque a sua própria vida já será um apelo à salvação em Cristo.

Por Valdely Cardoso Brito

OS DESAFIOS DA VIDA CRISTÃ

“Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos
e completos, sem faltar em coisa alguma. E, se algum de vós tem falta de sabedoria,
peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”. (Tiago 1.4 a 5)

  1. O que é vida cristã?

Fala-se muito da vida cristã, mas há ainda muita confusão a respeito.

Definições diversas:

Participar das formalidades da Igreja;

Trabalhar na Igreja;

Dar o dízimo  e ofertas alçadas;

Seguir um código moral;

Conhecer as doutrinas cardiais do Cristianismo.

A vida cristã tem duplo aspecto:

  1. O lado divino → depender da ação divina.
  2. O lado humano → Depender da ação humana

Teorias:

  1. O homem é capaz por seu próprio esforço de viver a vida cristã e Cristo é exemplo a ser imitado (1 Pe 2.21).
  2. O homem é incapaz por seu próprio esforço de viver a vida cristã, mas Cristo capacita (João 15.5).
  3. O homem é incapaz em parte, de viver a vida cristã por seu próprio esforço. Cristo é exemplo a ser imitado e também é quem capacita o cristão (Gl 2.19-20).

EXPLICAÇÃO DA PRIMEIRA TEORIA

Segundo o Novo Testamento o cristão deve: lutar, combater, comer, trabalhar, sofrer, suportar, resistir, mortificar-se… A vida cristã é presente de Deus, mas a apropriação do que Deus nos oferece requer trabalho árduo e esforço vigoroso (Cl 1.29 e 1 Co 9.25-27).

EXPLICAÇÃO DA SEGUNDA TEORIA

Adão tinha uma vida cuja força geratriz era Deus. Depois do pecado ele foi invadido por uma força estranha que passou a dominá-lo e movê-lo (Ef 2.3). O mesmo ocorre conosco e toda a humanidade.

O homem deve confiar em Deus. Ele irá usar o cristão como instrumento Seu, ou seja, o homem confia e Deus age (Rm 6.11-18). Jesus não pede que vivamos a vida cristã. Ele quer vivê-la em nós.

EXPLICAÇÃO DA TERCEIRA TEORIA

Depende do caráter e facilidades da pessoa. Mas Deus não aceita imperfeições (Mt 5.48). E Cristo e o Espírito Santo são a base da vida cristã.

  1. Tiago 4.7: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resistir ao Diabo, e ele fugirá de vós.” E sê praticante da Palavra (Tg 1.22).
  2. Seguir as pisadas de Jesus: 1Pe 2.11-12 e 21.
  3. Amar a Deus (1 Jo 1.15-17).
  4. Amar ao próximo como prova do amor a Deus (1 Jo 4.19 e 5.5).

Tiago 4.1: “Amados não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.

Se não se cumprir a orientação de Tiago, prepare-se porque vêm contendas por conta de se ignorar esse conselho bíblico.

Resposta: “Fostes comprado por bom preço; não vos façais servos dos homens” (Rm 7.23).

3 e 4 – a resposta está em: 1 Jo 3.22: “E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista.”

CONCLUSÃO: Shakespeare já dizia: “To be or not to be, that is the question” = Ser ou não ser, eis a questão.

Qual o dogma do Evangelho?

É o dogma do SER: 1 Co 13.1-7. É o amor que faz o ser humano SER. Nosso drama não é o do ser, mas o não ser. À medida que se parte para a ênfase do ter, perde-se o ser porque a fé cristã é totalmente baseada no ter. Hb 11 mostra que a fé profunda e genuína nem sempre é a fé que garante o ter, mas é sempre a fé que garante o ser. O livro de Hebreus fala dos homens que foram, mas não tiveram. Quando a busca do ter é o alvo da vida, o ser se desvanece. Deus e Jesus e o Parakletos querem que o ter seja uma decorrência do ser.

QUATRO VERDADES BÁSICAS DA RELAÇÃO ENTRE TER E SER:

1ª A Palavra de Deus diz que a grande prosperidade humana é advêm do ser (Mt 5.1-12).

2ª O grande sinal do ser se manifesta na dimensão existencial e ética da vida.

Cl 3.1-4 diz: “Coisas lá do alto” são coisas relativas ao ser (Cl 3.5-11). Quer dizer: Façam morrer a inferioridade de suas mentes, pensem grande (Confira: Cl 3.12-17).

3ª A prosperidade do ser não tem necessariamente relação com a prosperidade do ter, e esta, nada tem a ver com a prosperidade do ser. Ex. Abraão foi e teve. Moisés deixou de ter para ser. Elias sempre foi e nunca teve. A bênção de Deus é sempre a riqueza do ser.

4ª A prosperidade material somente tem chance de ser bênção, se marcada pelas características descritas em 1 Tm 6.9-19.

A prosperidade pode ser bênção, quando não inibe a bem-aventurança da humildade do espírito. 1Tm 6.17-18: “Exortem aos ricos para que não sejam orgulhosos, porém humildes”… Que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, guerreiros em dar e prontos em repartir”.

A prosperidade só será bênção de acordo com 1 Tm 6.19: “Que acumulem para si mesmos tesouros sólidos: fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida”.

A teologia da prosperidade é útil se for ensinada dentro do contexto da Palavra de Deus. A grande causa é o ser. O ter aparece como possibilidade. Jesus é o Modelo de Ser.

Por Valdely Cardoso Brito

A DÁDIVA DO PERDÃO

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas
de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade. Suportando-vos
uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;
assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. (Cl 3:12-13).

  1. Deus é perdoador

Mt 6:9-15 A Oração do Pai Nosso ensina que o perdão é dever recíproco dos cristãos: Mt 6:12: “Pai perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”  

Ne 9:17: “…ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te…”

Is 43:25: Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.

Mq 7:19: Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.

  1. Deus nos perdoa. E como é que Deus nos perdoa?

Não mais se lembrando de nossos pecados (Hb 8:12); lançando-os nas profundezas do mar do esquecimento (Mq 7:19); apagando-os completamente (Is 44:22); e daí em diante, age conosco como se nunca tivéssemos cometido qualquer tipo de pecado. Esta é a forma de perdão que todo Cristão deve praticar para com todos àqueles que os tenham ofendido (Ef 4:32, 5:1).

  1. Valor do Perdão

Ex. Jacó e Esaú; José e seus irmãos→ reconciliação recíproca e imediata.

  1. Características do perdão
  2. a) É ilimitado (Mt 21:22): “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” ( 22); b) Deve ser sincero (Mt 18:35) .
  3. Os resultados do perdão:
  4. a) Cura espiritual.

Deus tem propósito de vida espiritual saudável para cada cristão, no espírito, no corpo, na mente, na vontade e nas emoções, que só pode ser alcançado com o perdão.

  1. b) Libertação.

O Cristão que perdoa estará liberto das prisões e feridas do pecado, passando a viver em liberdade. O cristão que não perdoa vive preso pelas amarras das mágoas, mas as prisões espirituais são quebradas por Jesus através do perdão.

  1. c) Saúde psicofísica.

Vários tipos de câncer e enfermidades do corpo provêm da falta de perdão, que provocam: ressentimentos, amargura, mágoa, raiva, ódio, desejo de retribuição, tudo isso tanto afeta a alma como todo o corpo, e tira a paz da pessoa.

Leiamos Rm 3.10-18:

10Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.11Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.12Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.13A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; 14Cuja boca está cheia de maldição e amargura.15Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.16Em seus caminhos há destruição e miséria; 17E não conheceram o caminho da paz.18Não há temor de Deus diante de seus olhos.

A partir desse entendimento, agora, quando Satanás tentar usar alguém para lhe ferir, não aceite permanecer com a ferida, busque a cura através do perdão. Não veja a pessoa que te feriu, mas veja Satanás usando aquela pessoa que você ama para te ferir. A pessoa é apenas um instrumento do Inimigo. Por isso devemos ter em mente que a nossa luta não é contra pessoas, mas contra as forças das trevas que usam as pessoas (Ef 6:12)

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão (Gl 5.1).

Por Valdely Cardoso Brito

ANDAR COM DEUS

E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais,
porquanto Deus para si o tomou. Gn 5:24

A Bíblia informa que Enoque começou a andar com Deus, depois que gerou a Matusalém aos 65 anos (Gn 5:22). Então, após ter sido pai, é que nele despertou o sentimento do que Deus é o Pai da humanidade. O capítulo 5 de Gênesis apresenta uma lista de vários patriarcas. Começa com Adão, depois Sete, Enos, Quenã, Maalaléu, Jarede, e chega ao sétimo deles que é Enoque, que excedeu a todos os anteriores em procedimento virtuoso. E a Bíblia afirma que ele alcançou testemunho que agradara a Deus.

A pergunta é: o que foi que Ele descobriu para relacionar-se tão intimamente com Deus? Nós precisamos saber para imitá-lo. A Palavra não diz que Enoque vivia com Deus, mas que andava com Deus. Andar com Deus é Tê-LO diante de nós e à nossa frente; é conhecer Seus desejos, e não andar na frente d’Ele. Andar junto requer afeição e amor. Podemos supor que Adão tenha falado com Enoque sobre suas lembranças do Paraíso! É significativo que Enoque tenha sido chamado o “sétimo depois de Adão”, pois esse é o número perfeito da divindade. Daí porque Deus o levou para Si, significa que ele não morreu como os demais homens.

Leiamos Gn 5:18-24:

“18  E viveu Jarede cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque. 19  E viveu Jarede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. 20  E foram todos os dias de Jarede novecentos e sessenta e dois anos, e morreu. 21 E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. 22  E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. 23  E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. 24  E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”.

Andar junto requer acordo e entendimento, pois como diz Amós 3:3: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”. Portanto, andar junto exige afeição e amor. Judas “14 Para estes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares santos; 15 Para executar juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. 16 Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse”.

Veja que o texto de Judas informa que Enoque profetizou coisas importantes e íntimas de Deus, somente revelada a amigos íntimos. E o texto deixa claro que Enoque era profeta, isto é, aquele que recebe uma informação de Deus antes de todo mundo, e também mostra que profetizara da segunda vinda de Cristo, e se o fez, foi porque certamente conheceu a primeira! Hebreus 11:5: “Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus”. Enoque profetizou sobre a vinda do SENHOR, com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos os ímpios por todas as palavras duras que eles disseram contra o Senhor Jesus.  É possível viver e caminhar com Deus em meio a tamanha decadência moral nos dias de hoje? O testemunho de Enoque mostra que é totalmente possível. Enoque também viveu em meio à sociedade corrompida, mas provou que é possível ter vida com Deus em qualquer circunstância.

O homem foi feito do barro e a natureza de Deus é espírito, e a vocação do homem é revelar através da sua humanidade a glória de Deus. Aqui está a felicidade mais profunda que é viver para agradar a Deus. A palavra hebraica traduzida por andar significa “caminhar habitualmente”. Enoque teve relacionamento íntimo com Deus todos os dias, por 300 anos (3 séculos), ele tinha um profundo respeito e reconhecimento da majestade de Deus a ponto de ser arrebatado e permanecer para sempre na presença de Deus. Isso mostra que a glória de Deus se revela em vasos de barro, ou seja, a natureza humana de Enoque não era impedimento para andar com Deus. A felicidade mais profunda se consegue andando com Deus para agradar-Lhe. Assim, a vida humana que agrada a Deus adquire dimensão transcendental, vale dizer, a vida de Enoque não era mais dele e sim de Deus.

Enoque nos mostra que a oração traz crescimento espiritual e maturidade contínua e progressiva na fé. A vida pode parecer difícil, mas Deus é bom e misericordioso. Pode parecer imprevisível, mas Deus é soberano, pode parecer injusta, mas Deus é justo e amoroso. Pode parecer temporária, mas Deus é eterno.

Daí porque precisamos contar a Deus tudo o que está em nosso coração: as dificuldades que enfrentamos no dia a dia, para que Ele nos conforte; falar sobre as ambições para que Ele nos purifique; mencionar os fatos que Lhe desagrada para que Ele nos ajude a vencê-los; expor as tentações para que Ele nos proteja e nos livre. É preciso, pois, abrir o coração para Deus rogando que Ele nos cure de todo sentimento contrário à vida afim de que possamos manter o propósito correto que faz toda a diferença! A oração coloca a vida humana na perspectiva certa porque a oração é um ato de amor e comunhão com Deus, é o momento certo em que o Espírito Santo nos ajuda a vencer todas as tribulações desta vida terrena.

Por Valdely Cardoso Brito

SETE PRINCÍPIOS PARA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL

  1. APRENDA A ESQUECER

“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”(Fp 3.13-14).

Os pecados confessados devem ser deixados para trás. Não devemos permitir que o Inimigo nos acuse. Isaías 43.25, lemos que o Senhor apaga nossas transgressões e não se lembra de nossos pecados: “Sou em mesmo, aquele que apago as suas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”.

Esquecer as próprias falhas significa se perdoar. Se houve o perdão ao próximo, deverá haver também o esquecimento. Quem diz que perdoou e se lembra das falhas cometidas objeto do perdão, é porque não perdoou.

  1. APRENDA A PERDOAR

Perdão não existe na natureza. Jesus o trouxe até nós. Praticar o perdão é estar sob a graça de Deus. A liberação do perdão mantém a saúde física e espiritual. Porque fomos perdoados devemos perdoar. Jesus ensinou: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6.12).

Se nunca praticar o perdão, e esconder num cantinho do coração as mágoas e ressentimentos, um peso impedirá de crescer espiritualmente e haverá um bloqueio crescente para a prática do crescimento espiritual na Obra de Deus.

  1. PRATIQUE A ORAÇÃO

Todo crescimento espiritual é conquistado com a prática constante da oração, leitura e estudo da Palavra de Deus. “Muita oração, muito poder, pouca oração pouco poder e nenhuma oração nenhum poder”.  É preciso manter a comunhão diária com Deus onde quer que estejamos.

Tg 4.2-3 nos adverte: “Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”.

  1. CREIA

Marcos 11.24 diz que tudo quanto pedimos em oração, crendo que receberemos, assim será conosco. Hb 11.6 diz: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem d’Ele se aproxima precisa crer que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. Se buscarmos com fé Ele nos atenderá. Lembrando que a fé vem pelo ouvir e pela leitura da Palavra de Deus. A fé igual a de Tomé não é fé. A fé verdadeira é igual a fé de Abraão. Crescer espiritualmente requer crescer em fé, em experiências com Deus, em obediência aos 10 mandamentos, em permitir que Ele nos guie pelo Espírito Santo.

  1. APRENDA A ADORAR

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.23).

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus” (Ef 5.18-21). O cristão é santuário de Deus e cresce ao viver em plena comunhão com Ele. Dar graças em tudo fortalece. Adoração implica em leitura diária da Palavra, louvar a Deus com cânticos e orações.

  1. APRENDA A TESTEMUNHAR

Lembre-se que somos testemunhas de Jesus Cristo (At 1.8). Aproveite todas as oportunidades para testemunhar sobre o que Deus fez em sua vida, e veja sua vida espiritual crescer em ousadia e comprometimento com Jesus e com Seu Reino.

  1. APRENDA A DAR

“Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês” (Lc 6.38). “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição, mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gl 6.7-10). É preciso, pois, semear na Obra do SENHOR com dízimos e ofertas, em amor.

Por Valdely Cardoso Brito

TERMINANDO BEM A CORRIDA CRISTÃ

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto
que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus,
para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. (Atos 20:24)

Seis personagens ilustram bem o conteúdo dessa mensagem:

  1. LÚCIFER – Começou bem como anjo de luz, responsável pelo culto de adoração a Deus, mas quis ocupar o lugar de Deus e foi transformado no rei das trevas: Satanás, e então foi expulso do Céu para a terra.
  1. ADÃO – Teve tudo o que um ser humano pode desejar: lugar aprazível para morar, com diversidade de frutos e uma linda mulher para lhe fazer companhia, e ainda, ao fim do dia contava com a presença de Deus que vinha todas as tardes conversar com ele. Porém, Adão negligenciou sua responsabilidade de dominar como cabeça da casa. Começou bem dentro de um jardim, mas negligenciou sua responsabilidade e se deixou levar pelos argumentos da Eva que já havia sido dominada pelo Diabo disfarçado de serpente, e perdeu a bênção de permanecer no Paraíso criado por Deus para que ali vivessem felizes.
  1. SAUL – Começou muito bem como rei de Israel, mas terminou mal tirando sua própria vida.
  1. JUDAS – Começou bem como discípulo de Jesus, mas terminou como servo de Satanás traindo a Jesus, apontando-O aos inimigos com um beijo na face do Mestre, e após sua consciência o levou ao suicídio.
  1. PAULO – um homem erudito que se preparou na doutrina da Palavra aos pés de Gamaliel. Muito inteligente, porém, focou suas ações na prática do mal, matando o servo evangelista Filipe que pregava a Palavra, ganhando vidas para Jesus. Porém, após o encontro inesperado com Jesus, ele foi transformado no apóstolo Paulo e terminou muito bem.
  1. E todos os cristãos da atualidade.

A Bíblia diz que aquele que faz a vontade de Deus e que se apega a fazê-la, permanece para sempre. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados. E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura, porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a benção, foi rejeitado, porque não achou lugar no arrependimento, ainda que com lágrimas buscasse.

Por Valdely Cardoso Brito

FRUTO DO ESPÍRITO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5:22)

Fruto é o produto certo da vida saudável da árvore. Diz a Palavra no Salmo 92.12, 13, 14 que: “Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro no Líbano. Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes.”

O Fruto do Espírito compreende nove itens que vem arrolado em Gl 5.22, conforme segue:

  1. AMOR → é o amor desinteressado que o ser humano pode manifestar pelo próximo, porquanto tem origem no “amor de Deus que está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Gl 5.5).

Antes de prosseguir com os frutos veremos os tipos de amor:

“Eros” → é a palavra usada para descrever o amor entre os sexos masculino e feminino, portanto, descreve o amor físico dos seres humanos, do sexo masculino e feminino o qual deve produzir satisfação própria.

“Filia” → é o amor secular que expressa um relacionamento terno e carinhoso. Envolve o lado físico do amor: abraçar, cariciar. Pode ser amor de amizade. O amor filia pode murchar no sentido de que a amizade pode acabar (Jo 5.20; Mt 26.48 =  beijo de Judas). Perceba a sequência, Jesus o chama de amigo.

“Storge” → Rm 1.31; 2Tm 3.3 “sem afeição natural” = desafeiçoado.

É a palavra que descreve o amor do lar, dos pais para com os filhos e destes para com os pais, entre irmãos e parentes em geral. No final dos tempos teremos falta desse amor.

“Ágape” → nasce no meio da religião cristã. Descreve a entrega de alguém à pessoa amada. Está preocupado com o “sumo bem das pessoas”. Eu faço qualquer coisa para fazer alguém feliz. Amar é dar. Foi o que Deus fez. Ele deu seu Filho Jesus em sacrifício por nós.

  1. Alegria → é o verbo usado 72 vezes no N. T. e 60 no A. T. A vida cristã é uma vida de alegria que abrange a satisfação, o contentamento, porque é bem aventurança que vem de Deus.
  2. PAZ → é a tradução da palavra SHALON em hebraico. Não expressa apenas o desejo passivo de que a vida esteja sem problema. Paz é igual a bênção para a pessoa, abençoar a pessoa. Essa é a paz em nós.

>Rm 5.1 = Paz com Deus

>Fp  4.7 = Paz de Deus                Pode ser paz e amor (erene + ágape)

>Jo 14.27 = Paz de Jesus

  1. LONGANIMIDADE → É paciência parecida com a de Jó, de longo ânimo. De grande boa vontade para com as pessoas. Descreve a paciência de Deus que aguarda como o pai do filho pródigo. Ao contrário da impaciência que em pouco tampo age com ira destrutiva.
  2. BENIGNIDADE → é a ternura, gentileza, doçura de gênio → cavalheirismo (amor filia) considerai-vos uns aos outros. Descreve a qualidade do coração e da emoção que vem do interior.
  3. BONDADE → é a qualidade de agir com benevolência. Prática com o próximo.
  4. FIDELIDADE→ é uma virtude ética, enfatiza mais o relacionamento conosco mesmo do que com o próximo ou com Deus. Descreve um traço do nosso caráter e pode ser definida como confiabilidade, fidedignidade e credibilidade. Significa termos uma vida confiável de credibilidade.
  5. MANSIDÃO → descreve uma vida de força, mas ao mesmo tempo de suavidade é a humildade e tolerância, é a entrega dos meus direitos aos Sanhor. Platão diz que mansidão: “descreve o cão de guarda, que revela hostilidade valente aos estranhos e amizade gentil para com os da casa aos quais conhece e ama”. Se alguém me rouba um carro o problema é de Jesus e não meu. Ou se alguém é agressivo ou briguento comigo, esse alguém prestará contas a Jesus.
  6. DOMÍNIO PRÓPRIO → é a nossa vitória sobre o desejo. É o ser humano que se esforça para vencer e em tudo se domina. Os desejos procuram desviar-nos do caminho, da razão, mas quem tem o domínio próprio os mantém controlados. Ex. na área dos prazeres: alimentação, sexo, preguiça, ociosidade, vícios. O não controle causa a desgraça do ser humano. A pessoa controlada pelo Espírito Santo tem domínio próprio. Em Tito 1.9: “retendo firme e fiel palavra, que é conforme a doutrina para que seja poderoso, tanto para admoestar com sã doutrina como para convencer os contradizentes”. Qualidades que o homem e a mulher de Deus devem ter.

(1 Co 9.25: “Todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível”).

Por Valdely Cardoso Brito